2012 VEM AÍ!
Todos os indicadores apontam para uma recessão mundial. Ao contrário do que a propaganda oficial apregoa, do Brasil ser uma ilha de prosperidade e de que não será muito atingido com a retração geral, a presidente hoje (dia que escrevo esta coluna) está na Bélgica reunida com ministros da área da Comunidade Européia para fazer uma análise da situação e procurar uma saída menos dolorosa, do que enfrentar mais uma bolha.
O que impressiona é a tranqüilidade do nosso empresariado, na sua absoluta maioria, não está nada preocupado com os sinais negativos, que deveriam merecer a maior atenção e, principalmente, tomada de medidas de precaução e de garantias de sobrevivência num cenário tão desfavorável. Para a grande maioria o 2012 está mais distante que a galáxia A18-c2, recentemente descoberta a milhões (!) de anos-luz do nosso planeta.
Alguém está se preparando seriamente, tomando medidas gerenciais, essenciais como, por exemplo, melhorar a operacionalidade a partir do desenvolvimento dos produtos, ter como prioridade a economia de materiais já pelo desenho do produto, eliminar tempos mortos na produção, melhorar a logística, racionalizar o fluxo da mercadoria em produção para o calçado ser produzido em questão de horas no lugar de dias?
Tudo isso faz parte de uma gestão moderna, gestão do terceiro milênio (já estamos na segunda década!) e com a crescente concorrência dos asiáticos torna-se, como já disse acima, uma simples mas séria questão de sobrevivência.
Podemos somar a isso as facadas pelas costas que a indústria está recebendo devido a demagogia política e podemos citar, que além do aumento do salário mínimo em 14 % a partir de janeiro, que forçosamente trará reajustes maiores nos dissídios, temos ainda o recente aumento do aviso prévio, que pode atingir até 90 dias de pagamento e os sindicatos já estão se mobilizando para trabalho de 40 horas semanais – sem redução de salários!
Podemos somar a isso o crescimento de importações de manufaturados, a precariedade do ensino básico, porque não dá para falar de algum ensino técnico sério o que por sua vez causa a falta de mão-de-obra qualificada, precariedade da infra-estrutura, o tal custo Brasil, uma burocracia excessiva e desnecessária, legislação tributária que não tem igual no mundo em complexidade, juros campeões do mundo – medalha de ouro, e temos uma justificativa plena para a crescente queda na produção industrial com o fenômeno irreversível de desindustrialização. Por que irreversível? Porque enquanto as nossas indústrias se retraem, param de evoluir e investir, os nossos competidores crescem a cada dia. Será que um dia conseguiremos alcançá-los e superar? Dá para duvidar.
O que escrevi acima traz ainda outra calamidade no bojo – o desemprego. A grande mudança de migração para as cidades está estatisticamente provada. 85 % da população de hoje vive nas cidades. Quem pode sustentar este povo? Só a indústria e serviços. E se a indústria começar a fracassar, os serviços vão viver de que?
Volto afirmar, os empresários que não se preocupam com estratégias para terem condições de serem competitivos, passarão por grandes dificuldades. Alinhei acima os pontos básicos que deveriam ser atacados para melhorar a competitividade. Não é papel desta coluna dar um curso de gestão moderna. Inclusive, porque cada empresa tem a sua própria personalidade e cada passo tem que ser adaptado às condições existentes. Os requisitos estão delineados. A execução dependerá de cada situação particular.
Um fato é irreversível. O ano 2012 está batendo as nossas portas. Dentro de dias estaremos vivendo dentro dele. Será um ano de muitas dificuldades, que colocará à prova toda capacidade gerencial dos nossos donos de empresas. O meu alerta é no sentido de que é plenamente compreensível preocupar se com a feira da Couromoda em janeiro, mas lembrar que o ano vai continuar após a feira e, estaremos preparados e em condições de enfrentá-lo com sucesso?
As estratégias precisam de algum tempo para ser estudadas e definidas. Mas precisam de muito mais tempo para ser implementadas e postas em prática. E pelo que podemos ver, o tempo está passando, passando, passando ..........
Zdenek Pracuch
31/10/11