SALTOS E ALZHEIMER
É comum encontrar anúncios de calçados, geralmente dos que oferecem conforto especial, ou dos calçados esportivos, que chamam atenção para os saltos com dispositivos que amortecem os choques. Os chamados “Shock absorbers” – porque em inglês dá maior sofisticação. Os Jecas adoram.
Bem, por mais que a absorção dos choques pode ser desvirtuada e no lugar de material que realmente absorve o pior do choque causado com impacto do corpo pesado com o solo, encontramos no salto um pedacinho de borracha ou de poliuretano de cor diferente fingindo algo que não é, existe o fato, que o choque do salto com o solo pode ser prejudicial ao corpo.
O pé é um milagre anatômico de construção. Segundo Michelangelo a construção do pé humano é uma peça milagrosa de Arte da natureza. O esqueleto do corpo humano se compõe de 256 ossos. Destes 52 fazem parte dos dois pés. Só aqui já podemos ver qual é a importância que a natureza deu aos pés. Além dos 52 ossos ainda temos 32 tendões, 106 ligamentos e 38 juntas. Os pés merecem todos os cuidados possíveis.
Uma pessoa com vida normal, não sedentária e que não usa automóvel para comprar o pão na padaria da esquina, mas anda normalmente, executa diariamente 8.000 – 10.000 passos. O que quer dizer que alguém que viveu 70 anos, já pode ter executado até DUZENTOS BILHÕES de passos! Os carteiros ou lixeiros acompanhando caminhões de coleta de lixo podem acumular o dobro dos passos.
Se o salto do nosso calçado for do tipo rígido, como até há algumas décadas eram os tacões de couro no calçado masculino ou as capinhas de aço dos saltos altos femininos nos calçados de hoje, com seu inconfundível toc toc toc nas calçadas, transmite estas vibrações via espinha dorsal até a base do crânio.
Os cientistas da universidade de Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos iniciaram em 1995 um estudo de longo prazo, estudando a influencia destas vibrações sobre o envelhecimento das células do cérebro e como uma possível causa do desenvolvimento da doença de Alzheimer.
É óbvio que doença do Alzheimer pode ter múltiplas causas, até hoje desconhecidas e por isso até hoje sem cura conhecida, mas a hipótese de vibrações negativas criadas pela reverberação de pisadas sobre terrenos duros ou com saltos que transmitem estas vibrações, não pode ser descartada a priori e merece um estudo científico sério.
Pouca gente se dá conta que um corredor pesando 75 kg duplica o peso do corpo para 150 kg pelos impactos contra o solo. Um jogador de basquete que é capaz de saltar um metro, na volta contra o solo bate com força de duas toneladas. A bota de segurança ou de trabalho, com peso excessivo pode representar uma carga de 500 kg de excesso para o corpo no fim da jornada, daí o aumento do cansaço. A crescente aceitação dos solados de poliuretanos e de E.V.A. tem a sua explicação neste fenômeno.
O que cabe a nós como consumidores ou sapateiros é, procurar tornar cada vez mais confortável o ato de caminhar, inclusive por outros benefícios que uma caminhada traz á saúde e tornar realidade aquilo o que os “Shock absorbers” prometem – isso é, absorver as vibrações que são criadas pelo andar sobre saltos ou por solos duros e não fingir com um pedaço de material qualquer, de cor diferente, que estamos oferecendo um amortecedor de choques no calcanhar.
Zdenek Pracuch