ATIVOS INTANGÍVEIS

No mundo empresarial, das empresas progressistas que atuam dentro do espírito da época e não tem medo de inovar, a preocupação com os ativos intangíveis está cada vez mais presente. O que pode ser chamado de ativo intangível? Tudo o que não pode ser definido em números, mas que faz parte integrante da vida de cada empresa – ou seja, a cultura da empresa, a confiança dos funcionários e do publico e o espírito de liderança do segmento que a empresa pretende ocupar.

É óbvio que o aspecto humano desta preocupação predomina. Afinal, o que seria da empresa sem os colaboradores que possuem tantos conhecimentos, experiência e tomam decisões de grande importância a todo instante da vida útil da empresa?

A imagem da empresa é um dos ativos intangíveis mais importantes. Quanto vale uma marca ou em outras palavras a imagem de uma empresa? No nosso ramo, calçadista, temos vários exemplos. Um dos mais recentes é a americana Zappo’s que vende calçados pela Internet e foi recentemente comprada pelo grupo Amazon, também do ramo, que pagou pela Zappo’s, que praticamente não possui ativos imobilizados, a bagatela de 1,6 bi de dólares. Precisamos de muita imaginação para figurar o que esta soma representa.

Tive uma experiência pessoal quando fui procurado pelo dono de uma empresa de calçados tênis, que fechou e que, sabendo que tenho livre trânsito entre os empresários fabricantes de tênis de Nova Serrana, me ofereceu a marca dele ou para a venda ou na base de royalties. Marca forte, que conheci muito bem, por ter sido diretor industrial  na fábrica dele alguns anos antes.

A oferta foi muito bem aceita, mas vários empresários disseram, que vão fazer uma pesquisa em São Paulo, antes de dar resposta definitiva. O resultado foi decepcionante. Todos disseram que a marca era forte, sim, mas que nos últimos tempos a empresa aprontou tantas, que ficou desmoralizada no meio do comércio, embora os consumidores ainda poderiam aceita-la.

Como já disse acima, outro item intangível, mas de uma importância enorme é o pessoal ou material humano, como se referem alguns pesquisadores aos colaboradores. Nos últimos tempos está se firmando uma tendência muito mais acentuada, para valorizar o elemento humano dentro das empresas. As entrevistas de admissão e de adequação aos cargos propostos elevam cada vez mais o peso do perfil psicológico elaborado pelos(as) psicólogos(as) competentes.

Não é sem razão. Trabalhei vários anos na Suécia e o dono da empresa gostava de conversar e numa das longas viagens aéreas que fizemos juntos ouvi dele uma frase que nunca esqueci: “Mr. Pracuch, toda vez que desobedeci ao parecer da psicóloga e da grafóloga (sim, senhor!) me arrependi tremendamente!” Dito pelo senhor de seus setenta anos, conhecedor do mundo e de milhares de pessoas – e que achava que ainda não tinha o discernimento para avaliar as pessoas na base da experiência dele!   

É realmente intangível o valor do potencial humano com que nos trabalhamos. Como avaliar os conhecimentos, o interesse, a capacidade, a motivação, o entusiasmo, a dedicação, a inventividade, a capacidade de improvisar, de liderar, de ensinar, de ajudar aos colegas e ainda manter a chama acessa, quando todos nos temos a impressão de que trabalhamos muito e produzimos pouco?

Qual é a cultura de nossas empresas? É aquela frase sobre a missão na parede sobre a mesa da recepcionista, que nos foi impingida pela ISO e que ninguém leva á sério? É a cultura de produto de qualidade, que todos os funcionários adotaram e que faz do nosso produto o líder inconteste na categoria? É a cultura da empresa de promover competições internas sobre os mais variados aspectos, desde a segurança ou limpeza até a contagem dos defeitos que causam devoluções e reclamações?

Costumo levar visitantes à uma fábrica, onde presto assistência e que considero uma empresa do terceiro milênio. Sempre fico feliz, quando vejo os queixos caídos e ouço observações, de como o ambiente é silencioso, onde não há ninguém caminhando, onde todo o serviço é conduzido pelas esteiras, onde as pessoas trabalham com sorriso nos lábios e onde a gerente de produção (sim, a gerente) fica parada no meio do salão com as mãos atrás, calmamente observando as esteiras de produção.

É a cultura da empresa, onde os funcionários sabem e são constantemente lembrados sobre o fato, de que a empresa são eles! As palestras semanais com projeção de filmes motivacionais, com palestrantes convidados, ou até com visitantes, que são convidados a comentar o que viram e apreciaram, e para estas palavras de incentivo e estimulo o pessoal é reunido e a produção pára.

Ativos intangíveis? Com certeza, mas de grande valor. Depende somente do empresário até que ponto irá transformar os intangíveis em valores bem tangíveis no balanço final das suas atividades. Com investimento mínimo, pode ter certeza, que o retorno será grande e bem tangível. - Oxalá, que esta cultura empresarial se espalhe com a maior rapidez possível.

Zdenek Pracuch
18/07/11