PRODUTIVIDADE. MAS COMO AVALIAR ?
Ultimamente a produtividade é a palavra de moda. Comentários e mais comentários, estatísticas e opiniões, mas que de fato, só servem para confundir a cabeça do pobre empresário. Na realidade, no computo geral, o Brasil não está fazendo uma boa figura. Desde 2000 a produtividade do brasileiro aumentou 13 %. No mesmo período o colombiano aumentou em 23 % e o turco em 54 %.
Até o americano, desde há décadas referencia mundial de trabalhador que produz muito e, mesmo assim, conseguiu melhorar em 19 % no mesmo período. O aumento de produtividade é vital para sustentar o crescimento e aumento de renda. – Uma das formas de medir a produtividade é dividir o PIB pelo numero de empregados. Em dólares o crescimento da produtividade brasileira foi de 18.000 dólares em 1980 para 20.000 dólares em 2011. Enquanto isso a Coréia do Sul cresceu de 16.000 dólares para 64.000 dólares e a Turquia de 16.000 dólares para 43.000 dólares. Isso no âmbito geral.
A nos interessa principalmente o comportamento da indústria de calçados. Nas fábricas de calçados da Bata Shoe Corporation, desde décadas se mede a eficiência da gestão das suas fábricas no mundo pelo resultado do faturamento por funcionário das fábricas. No calçado masculino o parâmetro deve ficar entre 60.000 a 80.000 dólares por ano por funcionário. No calçado feminino, deve se situar entre 40.000 a 60.000 dólares por ano por funcionário, para que a fábrica seja considerada como bem administrada.
Acredito que ninguém no Brasil faz uma avaliação do desempenho por este método. Mas cada empresa pode avaliar a melhora ou piora do desempenho, coletando dados, digamos, dos últimos cinco anos, dividindo o total do faturamento anual pelo número de funcionários e ver, se houve progresso ou retrocesso no desempenho.
Até neste ponto as fábricas brasileiras precisam de se atualizar, quanto ao desempenho. A proporção entre os funcionários considerados produtivos e improdutivos varia de uma empresa para outra consideravelmente. Nas minhas análises encontro empresas com uma proporção de 16 % de improdutivos (cada funcionário, cujo trabalho não acrescenta diretamente valor ao produto, ex. motorista, porteiro, almoxarife ou líder), até 29,7 % de improdutivos!
Numa grande indústria de calçados em Franca, cujo dirigente me chamou, para esclarecer como o concorrente direto (onde prestava minha assistência) pode vender até 30 % mais barato, quando os modelos eram idênticos. Fiz o levantamento na empresa dele e apontei a existência de 74 funcionários improdutivos, acima do considerado normal pelas indústrias de calçados no mundo. Este parâmetro existe.
A produtividade tem que baixar forçosamente, quando são desobedecidas as regras de uma gestão eficiente. Esta eficiência, na indústria de calçados, começa pelo desenvolvimento do produto. Quantos modelistas se preocupam com a economia e operacionalidade de modelos? Criam, simplesmente, o modelo e o jogam no colo da produção – Virem se! A produtividade? Quem é quem se preocupa com ela?
Excesso de operações inúteis, como por exemplo a colagem no pesponto. Por que no mundo calçadista ninguém cola as peças? Por que, então, em Franca temos fábricas que tem duas coladeiras por máquina de costura? A logística dentro das fábricas é outro entrave para uma alta produtividade. Quanto tempo se perde carregando o produto semi-acabado de um lado para outro? Com um custo elevado que não acrescenta um centavo de valor ao produto?
A ociosidade de mão-de-obra é outro entrave para uma boa produtividade. Quando faço avaliação do índice de ociosidade encontro coisas incríveis como, por exemplo, encontrei numa fábrica de Jaú, um índice de perto de 50 % (!) de ociosidade. Mas, nada de estranhar, porque havia operários dormindo sobre os pacotes de couro. Entretanto, numa fábrica de Nova Serrana, vejam só, em Nova Serrana, que começou produzir calçado a bem dizer, ontem, encontrei uma fábrica com índice de ociosidade zero!
Tudo isso seria até caricato, não houvesse a questão da concorrência global e até interna. A produtividade é irremediavelmente conectada à competitividade. Como posso competir se o meu concorrente é mais eficaz, produz mais com menores meios? O que não passava de teorias de gestão, ensinadas nas faculdades, hoje se tornou a questão de vida ou morte, questão da sobrevivência.
Quanto tempo, ainda, necessitarão os empresários, ou melhor, donos de empresas, para acordar ou criar coragem para adaptar os métodos de trabalho e de gestão dentro dos mandamentos do terceiro milênio?
Zdenek Pracuch
11/06/12