ESTAMOS NO VERMELHO OU NO AZUL?

É surpreendente e de assustar de como é falha a administração de pequenas e médias (e de algumas grandes) empresas no aspecto de apuração de resultados econômicos.

Não me refiro aos balanços anuais ou semestrais feitos para Receita Federal, bancos ou acionistas. Refiro-me á apuração de resultados econômicos periodicamente durante o ano, em intervalos mensais, quinzenais, decenais ou semanais. - Atenção, não se trata de acompanhamento de fluxo de caixa, de liquidez ou de execução orçamentária. Trata-se, isso sim, de saber se estamos ganhando ou perdendo dinheiro com a nossa atividade.

Podemos ter um bom saldo no banco, mas a empresa estar perdendo dinheiro ou, pelo contrário, viver até o limite do cheque especial empresarial, mas ser uma empresa altamente lucrativa.

A aferição da situação econômica é muito simples, não depende nem do escritório de contabilidade terceirizado, nem da contabilidade própria. Qualquer uma das duas é importante para o fornecimento dos dados, mas nenhuma contabilidade é necessária para elaborar a conta final.

No caso da contabilidade de resultados (expressão criada pelo Peter Drucker), simplifiquei-a ao extremo para fazê-la acessível aos pequenos e micro empresários. Mas para funcionar, temos que cumprir algumas premissas. Temos que ter :

1 - Cálculo de custo para saber o valor de matérias primas e de insumos para cada artigo em produção.

2 - Cálculo de mão-de-obra para cada artigo em produção.

3 - Valor dos estoques de toda matéria prima, insumos, embalagens, inflamáveis, peças de reposição etc., no começo do período a ser apurado (mês, quinzena, semana), digamos, por exemplo, dia 1 de Julho.

4 - Idem, idem no fim do período, digamos 31 de Julho.

5 - Contar todos os pares em produção, por artigo, no dia do começo do período e multiplicar pelo valor do material, insumos e mão-de-obra por cada artigo, desde o corte até a expedição dos pedidos ainda não faturados.

6 - Fazer o mesmo no fim do período.

7 - Apurar o valor de todas as compras durante o período de apuração. Não interessa o prazo dado pelo fornecedor, nem as condições de pagamento. Interessa o valor das mercadorias que entraram para o estoque. Sei, que ninguém compra sem Nota Fiscal, nem pela meia-nota, mas se alguém por puro engano cometer esta ilegalidade, esta compra tem que entrar no computo geral pelo valor real.

8 - Apurar o valor do faturamento do período. Para aqueles que esqueceram de tirar Nota Fiscal, ou enganaram no valor, vale o mesmo do parágrafo anterior. A venda tem que ser considerada pelo valor real e nada pode ser deixado de fora.

9 - Apurar todas as despesas a qualquer título - folha, impostos, comissões, doações, despesas gerais; tudo o que deixou o caixa (qualquer tipo de caixa), contabilizado ou não.

10 - Para quem trabalha com estoque de produtos acabados ou consignados, vale neste caso a mesma exigência dos ítens 3 e 4 acima com a avaliação de acordo com o que foi determinado nos ítens 1 e 2.

Tendo colecionado todos os dados como descrito acima, montaremos o seguinte quadro, com valor em milhares de reais, preenchendo os valores nos campos marcados com “x” :-

Descrição Débito Crédito

Estoque inicial ( p.ex. em 1 de julho) x

Estoque final ( p.ex. em 31 de julho) x

Mercadoria em produção em 1.7. x

Mercadoria em produção em 31.7. x

Estoque de produtos acabados (caso haja) em 1.7. x

Estoque de produtos acabados (caso haja) em 31.7. x

Compras de 1.7. a 31.7. x

Vendas de 1.7. a 31.7. x

Despesas de 1.7. a 31.7. x

Lucro / Prejuízo: x ? / x ?
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Total: x / x

Esta importância “Total” é igual sempre pelo total maior e a diferença ou saldo, representa lucro ou prejuízo. Crédito = lucro, Débito = prejuízo.

Este tipo de contabilidade é praticado pela maior organização calçadista do mundo, desde a década dos anos vinte do século passado. Isto não quer dizer que não pode ser aplicada em qualquer tipo de negócio, comercial, industrial ou de serviços. A organização em foco, produzia máquinas, aviões, pneus, filmes e construía as suas próprias fábricas, administrava escolas, hotéis e cinemas e administra enorme cadeia de lojas próprias.

A contabilidade praticada como descrita acima, não o foi só para a organização inteira, mas para cada centro de custos, dentro da cada grupo na organização como por exemplo almoxarifado, corte, pesponto, injeção, transporte, manutenção, departamento social, vendas, portaria e outros. É praticada com fechamentos semanais. Isto permite uma rápida ação corretiva, em todos os pontos, onde esta se faz necessária ou onde aparece prejuízo.

Não resta dúvida que era trabalhosa numa época em que não existiam computadores nem calculadoras eletrônicas e tudo era feito manualmente. Mas o resultado deste trabalho, sem dúvida alguma, foi o crescimento e a criação da maior organização calçadista do mundo.

Com os computadores e sistemas de hoje, o exercício desta contabilidade virou quase um passatempo, mas um passatempo muito sério que, na mão de um empresário competente se torna arma mortal contra competidores.

Zdenek Pracuch