|
|
|
|
|
|
|
|
![]() |
||||||
|
|
|
|||||
|
|
|
|||||
![]() |
![]() |
O CALCE PERFEITO DO CALÇADO PARA CRIANÇAS Le Centre Technique Cuir Chaussures Maroquinerie (CTCCM) de Lyon, França publicou o mais recente estudo sobre o calçado infantil dedicado á adequação do calçado para crianças até sete anos de idade aos pés em desenvolvimento. O cuidado com os pés infantis já constitui uma preocupação constante da Fundação Sociedade Brasileira de Pediatria (FSBP) através do seu Conselho Regulamentador de Produtos e Serviços Recomendados às Crianças e Adolescentes, que outorga o Selo de Aprovação para calçados de crianças. Na última reunião do Conselho já foram incorporados os últimos conhecimentos, recomendações e tabelas técnicas de medidas do CTCCM para a outorga do Selo de Aprovação. Quais são as recomendações ? Há três aspectos a considerar sobre o calçado de crianças: 1 - Deve ser esteticamente agradável 2 - Deve oferecer suporte adequado pelo calce e tamanho 3 - Deve atender aos aspectos morfológicos e ao pé individual Pelo tamanho dos pés, as crianças são divididas em três grupos de tamanhos, de 16 23, de 24 27 e de 28 30. Cada tamanho corresponde a um ponto francês, ou sejam 6,66 mm. Assim o tamanho 20, por exemplo, representa o comprimento de 13,3 cm (133,2 mm). Até a idade de cinco a sete anos, não há diferença entre os pés de meninos e de meninas. Após esta idade os pés dos meninos começam a ganhar um volume maior. Especificações para calçados de criança: O período mais sensível no desenvolvimento do pé é a idade entre 9 a 12 meses, quando a criança começa a andar. Esta sensibilidade permite á criança a coleta das informações sobre a estabilidade, equilíbrio e deslocamento, necessários para o ato de andar. Por este motivo o calçado não deve, de modo algum, restringir o desenvolvimento do pé. Para as crianças de 1 a 3 anos, quando o pé cresce, mas os ossos ainda estão calcificados somente parcialmente, o calçado não deve restringir este crescimento, embora deve ser suficientemente firme para proteger os ossos salientes do tornozelo. Nesta idade a criança deve calçar calçado estruturado, que a auxilie a encontrar o equilíbrio e oferecer certa firmeza no deslocamento. É interessante notar, que pouquíssimas crianças nascem com algum defeito nos membros inferiores, mas menos de 40 % de adultos tem pés sadios. Isso se deve principalmente ao uso de calçado inadequado na idade juvenil. Recomendações para a idade de 1 a 3 anos (tamanhos 18 a 23): Os calçados para estas idades deveriam ser do tipo botinha, até a altura do tornozelo para oferecer um suporte adequado. Comprimento não deve prejudicar o crescimento do pé. É recomendável um acréscimo de 7 a 10 mm de espaço livre. Não mais que isso, porque isto deslocaria o ponto de flexão do calçado em relação á junta do metatarso. Bico do calçado crianças pequenas têm, em geral, o dedão de tamanho maior, o que as ajuda no equilíbrio. É necessário assegurar bastante espaço para ele, para que os dedos não sejam amontoados, o que poderia levar ás futuras anomalias, como as unhas encravadas. Na área da junção dos ossos de dedos com os de metatarso, em hipótese alguma a área pode ser menos que a média dos pés normais. Nas reuniões de avaliação do Conselho, esta parte é observada com máximo rigor. Parte traseira deve obedecer as medidas da tabela para cada tamanho. CTCCM atualizou as tabelas e o Conselho da FSBP as observa no ato da avalição. Forma do salto para distribuir corretamente o peso e oferecer estabilidade é recomendada a largura de 45 mm em relação com a parte traseira. Entrada do pé deve obedecer a linha natural de entrada entre a frente e a parte traseira de calçado com tolerância de 5 8 mm. Esta parte deve ser bem ajustada para oferecer o suporte ao arco. Atenção: de modo algum deve suspender e suportar o arco do pé! Relevo da sola uma tolerância máxima de 3 mm é aceita no sentido longitudinal, para evitar instabilidade, quando a criança está apreendendo a se equilibrar. Recomendações para idade de 3 a 5 anos (tamanhos 24 27): Em comparação com o primeiro grupo de crianças, as crianças nesta idade são muito mais dinâmicas. Torna-se necessário respeitar o fato de que o pé continua com seu desenvolvimento, mas a altura do calçado pode ser mais baixa do que o foi para o grupo anterior. Comprimento - deve ser igual ou um pouco maior que o tamanho específico. Bico do calçado - assim como no grupo anterior, deve oferecer bastante espaço, para os dedos não serem forçados a se sobrepor, para evitar unhas encravadas. A altura da forma sobre a qual é montado o calçado, é medida nas reuniões de avaliação do Conselho da FSPB, de acordo com as tabelas atualizadas, para permitir um espaço suficiente para estrutura do pé na junção dos ossos dos dedos com os do metatarso. Parte traseira - deve obedecer a medida da tabela de circunferência e de altura. Entrada do pé deve obedecer ao arco natural do pé, com tolerância de 5 mm na parte da frente e de trás. Relevo da sola sem prejudicar o desenvolvimento e movimentos do pé, a sola pode ter um acréscimo de 4 6 mm na frente e de 5 8 mm atrás. Recomendações para a idade de 5 a 7 anos (tamanhos 27 33): O pé está ficando mais estruturado e definido. Está ganhando em flexibilidade e o arco começa a se formar alongando o pé em algo como 5 mm. O calçado começa a parecer mais com o dos adultos e é nessa idade que começa a ficar aparente a diferença entre os pés de meninos e de meninas e fica evidente a necessidade de ter calçado específico para cada sexo. Os pés das meninas se definem mais depressa que os dos meninos e é nesta idade onde devem começar a ser produzidos os calçados para meninas sobre formas mais finas e com saltos mais acentuados, embora ainda baixos. Recomendações do CTCCM para calçados de tamanhos 27 33: Para grupo desta idade dever-se-ia considerar a numeração diferenciada para cada sexo . (Na Europa, como no Brasil esta diferenciação não existe.) Esta diferença é mais acentuada na largura do pé (condição anatômica) e na altura do salto (condicionada pela moda). A partir desta idade, as solicitações sobre o calçado são quase iguais as solicitações dos adultos. Além daquilo o que CTCCM sugere, cabe observar que na numeração americana esta diferença de numeração existe há cem anos e temos distinção entre Boys e Misses onde 12 ½ Boys é igual á 1 de Misses (numeração americana). O tamanho 1 de Boys é 13 mm maior do que o tamanho 1 de Misses, praticamente dois pontos franceses. Alguns fabricantes brasileiros de formas não consideram a numeração de formas com muito rigor, mas nas reuniões de avaliação do Conselho, muitas formas já não foram aprovadas por terem as medidas em desacordo com a anatomia do pé. A atualização das tabelas é necessária, porque é evidente, que os pés das gerações mais novas são maiores e mais volumosos. A última tabela científicamente elaborada foi a alemã AKA 64, de 1964, que hoje ainda é usada, porém, com bastante tolerâncias. No Brasil nunca foi feito um levantamento similar, o qual encontraria bastante dificuldades para chegar a um denominador comum, devido a diferenças étnicas entre diversas regiões. Os pés dos sulistas diferem substancialmente dos pés dos nordestinos, o que deve valer igualmente para os pés das crianças. Quem sabe, no futuro, alguém se decide patrocinar um trabalho neste sentido? Zdenek Pracuch |
![]() |
|||
|
|
|
|
||||
|
|
|
|||||