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ENCURTAMENTO DE CICLOS Num dos últimos números da revista Management, o pesquisador Alvin Toffler está chamando a atenção para o fenômeno de encurtamento de ciclos na produção e nas vendas. É um fenômeno mundial, trazido pela crescente facilidade de comunicações e de logística e, obviamente, a indústria de calçados não pode escapar desta tendência. No caso da indústria de calçados, outros fatores ainda contribuem para agravar a situação, tais como descapitalização das lojas ou redes de varejo, as mudanças da moda ultrarápidas, sofrendo influência do lançamento de novelas ou filmes, o que por si mesmo já é também um subproduto da globalização e da velocidade das comunicações. Muito empresários ainda não atentaram para o fato e continuam agindo do mesmo modo como agem há decênios. Ou seja, não fazem pesquisa de mercado, não fazem planejamento nem de vendas e nem de compras, impõe prazos de entrega à sua conveniência, sem se preocupar com as conveniências dos clientes e deste modo estão se tornando alvo fácil dos concorrentes mais ágeis e mais preparados. São aquilo o que os americanos chamam de “sitting duck”, ou seja pato sentado. Alvo muito mais fácil do que um pato voando! – O encurtamento de ciclos de produção e de vendas é um fato que deve merecer uma observação profunda e medidas corretivas o mais rápido possível. Há tempos que venho alertando para o fato de mercado estar mudando os seus hábitos, que os pedidos serão cada vez menores, mas com maior freqüência, com prazos de entrega para ontem. Observem, como mudaram as Feiras de calçados! Que isso, forçosamente, irá exigir uma mudança completa na formulação do comportamento das empresas só um deficiente visual (chamemos assim politicamente correto) não pode ver. O comerciante já descobriu que, se puder repor o calçado vendido hoje, mais tardar depois de amanhã, não terá dúvida em trabalhar só com as empresas que possam satisfazer este giro rápido do estoque. Europa já trabalha assim. Não pensem que os 1 bilhão e duzentos e cinqüenta milhões de pares que os chineses exportaram nos últimos vinte e dois meses foram todos vendidos. Não o foram, mas estão esperando ser entregues em 24 horas quando solicitados. Um bilhão e seiscentos milhões de pares vendidos pelos chineses aos americanos em 2005 também não foram todos entregues para os pedidos, mas muitos ainda estão para atender os pedidos pequenos para pronta entrega. A perda do mercado dos gaúchos foi afetada pela valorização do real, não resta nenhuma dúvida quanto a isso. Mas, além dos preços mais baixos praticado pelos chineses, em grande parte o motivo foi a logística – entregas na hora! Vivemos num mundo global. Temos que nos adaptar e, principalmente no comércio e na produção, caso queiramos sobreviver. Esta tendência de encurtamento dos ciclos tem que ser observada com grande atenção e introduzida nas nossas empresas sem grande demora. Temos que nos antecipar, para marcar a nossa posição e demonstrar que temos condições de atender rapidamente e com uma enorme vantagem, caso tenhamos esta flexibilidade: DE ATENDER NÃO SOMENTE COM RAPIDEZ, MAS DENTRO DAS OSCILAÇÕES QUE A MODA E O MERCADO EXIGIR! E, neste caso, mesmo se o nosso preço for mais caro do que o do calçado importado, o comerciante não tem saída: ou leva o nosso, no auge da onda da moda, ou vai perder as vendas. Há muito a ser feito neste sentido dentro das empresas. Mudar a mentalidade da chefia, que gosta de ter sempre uma “reserva” de produtos semi-acabados, pespontos as vezes em outras cidades, atrasando produção, fornecedor que não cumpre os prazos de entrega, planejamento mal feito ou simplesmente não feito, tudo isso não pode existir mais. Chegou a hora de mostrar a capacidade de gestão. |
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