QUALIFICAÇÃO DOS COLABORADORES
Escrevi anteriormente uma coluna - Operários qualificados - onde falei sobre a qualificação dos funcionarios das empresas calçadistas. A coluna despertou interesse fora do comum e, acho pela repercussão, que falei de um assunto que tocou muita gente.
Estou acostumado a receber e-mails, geralmente discordando das opiniões publicadas, mas desta vez a repercussão foi muito positiva, ao ponto de ser citada a milhas de distância, no jornal O Exclusivo de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.
Um dos mais interessantes e-mails recebidos entretanto foi da leitora e conselheira do jornal Comércio da Franca, senhora Dinamar Lacerda Domiciano, cujo e-mail me permito transcrever na íntegra. A senhora Dinamar trabalhou durante anos na indústria de calçados, hoje exerce outra atividade no setor educacional depois de ter atuado 15 anos como professora, mas como ela mesma confessa: “ ... em momento algum como sapateira deixei de amar o que fazia. Ficava orgulhosa de ver o resultado nos pés das pessoas, ou mesmo nas vitrines das lojas.”
Mas vejamos os comentários da senhora Dinamar Lacerda Domiciano: “Concordo plenamente com seu ponto de vista. Mas porém o que está faltando principalmente aqui em Franca é abrir a cabeça dos donos de fábricas de calçados, para investirem mais com seu quadro de funcionários. Poderiam como em qualquer empresa grande, dar cursos, reciclar e dar oportunidade para estudarem. Quando algum funcionário está fazendo algum curso ou faculdade o chefe já o olha de cara feia, pois ele tem horário para ir embora, não podendo ficar mais tarde para “horas extras”. Ou mesmo, com medo de funcionário ficar sabendo mais do que ele e perder seu emprego.”
E continua: ”Eu na minha opinião, se patrões investissem mais em cursos para os seus funcionários, com certeza teriam seres humanos capacitados para trabalharem com uma maior satisfação pessoal, com isso aumentando a sua produtividade. O que se vê numa fábrica de calçados, são pessoas robôs, que não sabem as palavrinhas mágicas (muito obrigado, por favor, me empresta) pessoas estas com raiva da vida e do mundo. Os patrões tem condições, sim, de darem palestras, com incentivo e aumentando a auto estima dos seus funcionários. É tão fácil agradar o ser humano, comemore com eles as datas festivas, como dia das mães, pais, natal, aniversário, etc. Somos seres humanos, e quem não gosta de ser lembrado?”
E termina o seu e-mail: “Sei que quando trabalhamos, não importa com que, podendo ser um simples gari a um executivo, devemos fazer com amor e gostar do que estamos fazendo, com certeza seremos mais produtivos. Não se esquecendo que somos uma peça importante de engrenagem do nosso trabalho.”
Estas observações ganham um peso ainda maior, por terem sido emitidas por uma pessoa que não faz mais parte do meio calçadista, mas dele conserva boas lembranças, ao lado da análise dos aspectos que poderiam e deveriam ser corrigidos em benefício de todos os envolvidos.
Quando comparamos o que neste sentido está sendo feito no Brasil, com o plano educacional coureiro-calçadista desenvolvido desde o ano passado pela Índia podemos ver, como estamos atrasados com relação a um país de uma pobreza proverbial, mas que conscientizado do problema toma medidas profundas e radicais para corrigi-lo. E nós?
Zdenek Pracuch