UMA CALAMIDADE: A COLAGEM

Por que a mentalidade de todo mundo faz assim está tão difundida nas fábricas de calçados? O certo é copiar as coisas boas. Mas o problema está como distinguir as coisas boas, das coisas más, se todo mundo faz isso ?

O que acontece com a técnica de colagem é uma calamidade, que só não se manifestou em escala maior, devido à excelente qualidade de colas, que suportam e até corrigem os maus tratos que recebem. E, também, devido a uma certa inércia dos compradores, que ainda não aprenderam a reclamar.

Nas fábricas onde fazemos as nossas radiografias sempre ouvimos dizer: O técnico de colagem esteve aqui e não disse nada. Aprovou o nosso processo! Só resta dizer – o técnico não é bôbo e não irá criar polêmica, que poderia prejudicar as vendas da cola dele. Ele sabe bem que a cola dele está excelente e, também sabe, que se a colagem não for de 100 %, os 50% ou até 40% de colagem que está conseguindo são suficientes para segurar a sola até que o cabedal se desfaça.

Não há segredos no processo de boa colagem. É física e química pura, cujas leis determinam o comportamento de cola. As moléculas de cola necessitam de determinadas temperaturas, pressão e tempo para se tornarem plastificáveis, permitam uma interpenetração e assim conseguir uma adesão perfeita.

São leis que não podem ser desobedecidas. A penalidade é: má qualidade e problemas com clientes. Se a temperatura mínima que ainda permite uma interpenetração de moléculas de cola é de 60 graus centígrados, não adianta reativar a cola com sessenta graus no forninho, porque até que o operário aponte a sola e a prensa comece a prensar, a temperatura já ficou reduzida abaixo do mínimo necessário, os tais 60 graus, e a adesão será prejudicada.

Quem tem termômetro digital pode conferir: a temperatura cai à razão de um grau por segundo. Dá pena ver o apontador da sola segurar o calçado reativado numa mão e a sola na outra, conversando com o colega, enquanto a cola esfria, esfria, esfria ........

Alguém confere a pressão da prensa? O tempo da prensagem? A cola está sendo batida, ou despejamos primeiro o solvente na tigela e mais tarde a cola pastosa que ficou no fundo da lata?

Estes devem ser os motivos porque tantas fábricas reforçam a colagem com as costuras laterais. Porque não sabem colar mesmo, ou não tem sistema de controle de qualidade tecnológica, que nenhum curso de Qualidade Total ainda ensinou.

Estamos num milênio de alta tecnologia, mas na indústria de calçados, mesmo a tecnologia mais primitiva ainda não é aplicada. Não acham que já chegamos ao ponto onde isso se tornou uma obrigação para com os clientes?


Zdenek Pracuch