O QUE PODE PROVOCAR DESPERDÍCIOS?

O campeão de desperdícios numa fabrica é a seção de corte. Mas não é somente o material que se desperdiça. Os desperdícios podem tomar outras formas também.

Observem, como está trabalhando um balancim de ponte. Numa fabrica onde fiz a “ radiografia ” da situação da empresa, o dono comentou casualmente que está pensando em adquirir mais um balancim de ponte, porque o único que ele tinha em operação não dava vazão á produção.

Sem comentários, peguei o meu cronômetro e fui avaliar a produtividade do balancim. Para minha surpresa verifiquei, que o balancim de fato estava ocupado com ato de cortar só 23% do tempo. O resto do tempo o cortador gastava em juntar as peças cortadas, contá-las, amarrá-las, marcar o tamanho e conferir a ficha de produção. Algum tempo foi gasto em buscar material e ajeitá-lo sobre a mesa, mas no computo geral isso pouco representava.

A solução foi colocar uma menina esperta com uma mesinha ao lado do balanceiro e que se incumbia de executar todas as tarefas auxiliares deixando o cortador livre para a função dele – cortar.

A produtividade triplicou, sem nenhum investimento ao custo de um salário mínimo. – Longe de mim querer dificultar o negócio do amigo fraternal Delmo Poppi, que produz o melhor balancim de ponte, mas qualquer empresário deve pensar nos investimentos em ativo fixo somente depois de esgotar todos os meios alternativos disponíveis. O futuro pertence ás empresas fortes, capitalizadas, com capital de giro próprio. A nenhum fornecedor, seja de máquinas, materiais ou componentes interessa trabalhar com empresas frágeis, sujeitas a viver do dinheiro de terceiros.

Mas esta não foi a única economia neste episódio. Evitou-se investir sem necessidade. Também a despesa operacional desta máquina por par cortado diminuiu. Quanto custou em energia elétrica a bomba hidráulica trabalhando 77% do tempo criando a pressão sem necessidade?

Costumo perguntar aos gerentes de produção ou calculistas, qual é o custo de Kwh consumido pela fábrica? Até hoje não achei um que soubesse. Confesso, que ler uma conta industrial de consumo de eletricidade da CEMIG (Companhia de Eletricidade de Minas Gerais) requer um MBA ou pós-graduação em engenharia elétrica. Mas vale a pena decifrá-la para saber quanto me custa um motor de 3 ou 5 Kwh rodando à-toa.

Fiz esta conta a poucos dias numa unidade de injeção de solas. O resultado assustou o gerente da unidade. E na injeção de solas o quadro está ainda agravado pelo fator de aquecimento.

Mas por hoje fica a sugestão de analisar o comportamento da seção do corte e, mesmo assim, somente sobre o trabalho do balancim de ponte. Porque, acreditem, há muito mais a comentar.

 

Zdenek Pracuch