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DESRESPEITO ÀS REGRAS BÁSICAS Já publiquei nos jornais vários artigos sobre os sapateiros, achando que se tratava de um espécime em extinção. Quanto a avaliar se isso representa alguma perda significante deixo ao critério de cada um. Lamentável é a perda de conhecimentos que remontam às épocas perdidas no tempo, mas que foram conservados através da tradição artesanal durante séculos, quiçá milênios. Devido à pressão sobre os preços, o que não é nenhuma novidade no mundo, os materiais nobres de origem orgânica, natural estão sendo substituídos por materiais sintéticos feitos industrialmente, sem nenhuma consideração sobre a saúde dos pés ou sobre o conforto do usuário. E os conhecimentos sobre os quais se baseava o artesanato tradicional calçadista estão sendo ignorados, esquecidos e quem sofrerá com isso são as gerações futuras, cujos pés estão exatamente iguais aos dos seus antepassados. Exceto, que aqueles eram tratados dentro dos conhecimentos tradicionais, que eram o mandamento de cada artesão digno deste nome e orgulhoso de continuidade da tradição. O que preocupa é que, na ânsia de baratear o produto são desrespeitadas as regras básicas de bio-mecânica e até de segurança no andar. Participo das reuniões da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), junto com docentes de ortopedia ou da cirurgia ortopédica pediátrica. E acompanho a preocupação deles com calçado infantil no tocante ao contraforte. É impressionante a involução do contraforte, que era feito de materiais rígidos, que ofereciam um andar seguro e apoio ao calcanhar. No lugar de um contraforte sólido (e que antigamente era feito de couro curtido ao tanino e endurecido com grude de polvilho) temos hoje um arremedo de contraforte, mole, disforme, sem resistência nenhuma, que perdeu a sua função de suporte e a trocou pela função de manter a parte traseira do calçado conformada e de pé. Quanto a sua função ortopédica, principalmente no tênis ou no calçado hoje chamado de action footwear ou high performance footwear , nem sinal. Os ortopedistas comentam nas reuniões da SBP sobre o número espantoso de torções ou até fraturas dos tornozelos, dos ossos de metatarso, das fraturas nos ossos do calcanhar, principalmente nas mulheres, devido ao calçado inadequado que elas calçam. Sandália, mule ou anabela com salto alto é um convite ao acidente, que pode ser sério. O mesmo vale para o atleta corredor, que corre sobre terreno irregular com calçado cujo contraforte não lhe dá suporte na parte do calcanhar contra possíveis torções e pisadas em falso. Como economia, a troca do material do contraforte não é grande coisa. Mas como ponto de venda, desde que o representante esteja técnicamente instruído sobre o que vende, o argumento tem muito peso. Conversando outro dia com um vendedor sobre este assunto, este me disse que os compradores da C&A , testam em primeiro lugar a rigidez do contraforte. Pode ser que alguma filial mundial da C&A já pagou indenização pesada por algum tornozelo quebrado por esta causa. Tomara que isso não venha acontecer por aqui em função de baratear o produto. Zdenek Pracuch |
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