DISCIPLINA E PERSEVERANÇA.

Infelizmente, estas duas palavras não fazem parte dos dicionários da maioria dos donos de empresas de Nova Serrana. Mas estas duas simples palavras, desde que aplicadas, são a garantia de sucesso em tudo que empreendemos.

Depois de quase três anos de assistência ás empresas de Nova Serrana, já ganhei experiência suficiente para avaliar o comportamento da grande maioria dos donos de empresas locais.

Quando a gente introduz alguma modalidade nova de trabalho ou algum melhoramento na tecnologia de operações, ou procedimentos, o entusiasmo inicial e a aplicação do novo conhecimento têm, geralmente, uma duração muito curta. Vou á Nova Serrana habitualmente uma vez por mês. E, absolutamente, hoje não me surpreende mais, que aquilo o que foi adotado e funcionava, deixa de funcionar ou é abandonado no prazo de um ou dois meses.

E tudo volta a como o era antes. Qual é o motivo? Indolência, resistência passiva dos funcionários, falta de controles? O Kam-Ban, ou seja, o método japonês de melhoria contínua, que é o seguro contra obsolescência tanto da tecnologia como de métodos, parece que deu uma volta larga em torno de Nova Serrana.

Exemplos não me faltam. Introduzi um sistema perfeito de controle de qualidade numa empresa local, que tinha fama de ser barateira, mas que o produto era de pouca qualidade. Após a implantação do sistema a qualidade melhorou mais de cem por cento. O sentimento: Aleluia – já ganhamos! Prevaleceu. O quadro de inspetores de qualidade (4) foi desmantelado, um voltou a ser cortador, dois sumiram e a melhor inspetora de qualidade (na minha opinião) de Nova Serrana, hoje faz café e esquenta as marmitas.

Em várias empresas ensinei os detalhes cruciais para uma boa colagem. Como aplicar halogênio, como medir temperaturas de reativação, como medir tempo e a pressão adequada das prensas - para voltar um mês depois e ver tudo do mesmo jeito como estava antes. E quando quero conferir, digamos a temperatura começa a aflição: - Cadê o termômetro, alguém viu termômetro, quem foi o último a usar o termômetro? – para descobrir, que fazia um mês que ninguém conferia a temperatura. Coisa, que nas empresas organizadas é feita de hora em hora. Porque uma lâmpada pode queimar, sem perceber, e a temperatura não será mais a adequada para a segurança da colagem.

O que dizer, então, sobre o cálculo de consumo, sobre o acompanhamento do desempenho dos cortadores e tantos outros parâmetros cruciais? Cada chefe de seção ou de produção se julga autorizado a mudar os procedimentos e rotinas de acordo com seu próprio critério, desconhecendo completamente as conseqüências ou as reais necessidades. E o dono da empresa? Bem, este tem tantas ocupações e preocupações, que a empresa anda sozinha simplesmente pela força da inércia. Até que para de andar.

Nos cursos de atualização para a chefia na organização Bata, são citados quatro passos para uma produção (ou gestão) eficaz:

- Planejar

- Programar

- Produzir

- Controlar

O tamanho e sucesso da Bata são testemunhos sobre a eficácia destes procedimentos. Em Nova Serrana o primeiro e o último passo são solenemente ignorados. Pouca gente sabe planejar e se o faz, o faz pela metade, e os controles, quando os há são precários até não poder mais.

O darwinismo na indústria é violento. Só os mais capazes sobreviverão. A globalização da economia e dos mercados agravou ainda mais esta situação. Nova Serrana hoje compete diretamente não com Franca ou Birigui, mas com Gangzhou ou Ho-Chi-Min City. E, podem acreditar, estes camaradas não brincam em serviço

Zdenek Pracuch