ECONOMIA - ONDE BUSCAR ?

Existe um equívoco generalizado entre os administradores na indústria de calçados de que a seção mais difícil a ser organizada é o pesponto. Não é bem assim. O pesponto tem a mão-de-obra mais intensiva, operações mais delicadas e não sendo organizado tumultua a produção da fábrica inteira.

No entanto, em termos de resultados econômicos e da lucratividade do empreendimento o pesponto não pode sofrer comparação com o corte. É no corte onde se manipulam valores. E que valores! Metade do custo do produto passa pelas mãos dos cortadores. E dependendo da consciência, da habilidade profissional, do treinamento e da supervisão, o que está em jogo é a situação economica da empresa.

A chave da operação do corte está no balanceamento próprio entre o trinômio economia, produtividade e qualidade. Não é fácil encontrar o denominador comum para satisfazer as três exigências básicas. Desde o momento em que vamos privilegiar a produtividade, a economia e a qualidade vão sofrer. Privilegiando a economia, a produtividade e a qualidade sairão prejudicadas. E dando maior ênfase sobre a qualidade, a economia e produtividade não serão alcançadas como o estivessem nos dois casos anteriores.

Para as empresas que trabalham com materiais sintéticos, o quesito qualidade perde na importância, dada a uniformidade do material. O choque, neste caso, será entre a economia e a produtividade. As empresas que trabalham com couro, mesmo só em parte, deverão colocar a produtividade em segundo plano e concentrar a sua atenção sobre a qualidade e economia.

Como se pode deduzir, não é fácil administrar a seção do corte, no caso de algumas industrias, agravado mais ainda pela falta do treinamento e de senso de economia da maior parte dos cortadores profissionais. O que é mais estranho ainda, é que a grande parte dos empresários não se preocupa com este estado de coisas, quando deveria ver o pouco caso com que é tratado o material pelos cortadores. A situação comum é ver um cortador despedaçar um retalho grande em vários pedaços pequenos para não ter chamada a atenção.

O diagnostico foi feito e agora? O que pode e deve ser feito para corrigir este lastimável estado de coisas? Pode ser feita muita coisa, como várias empresas já confirmaram e estão lucrando com isso. Mas algumas premissas básicas devem ser cumpridas para que a correção possa ocorrer :

1) Cálculo de consumo de materiais é imprescindível. Mas não é cálculo feito por alguém que fez um curso qualquer há cinco anos atrás e já esqueceu mais da metade. O cálculo deve ser feito com todo rigor e técnica.

2) Organização do almoxarifado também é imprescindível. Como podemos cobrar e controlar o desempenho de cortadores, se o almoxarifado é do tipo de supermercado, onde cada um pega na prateleira ou recebe o que pede, mas no nosso caso nem precisa pagar?

3) Tendo conseguido organizar as duas premissas iniciais a terceira diz respeito a avaliação dos resultados atingidos pelos cortadores - diariamente e individualmente – em metros ou decímetros quadrados ou lineares e porcentagens de prejuízo ou de lucro contra o que foi prescrito.

4) A mesma avaliação será feita por materiais, para termos indicação do índice de aproveitamento de cada material (nylon, espuma, lycra, courvin etc.) e, caso seja comprovado corrigir o coeficiente de desperdício para cima ou para baixo, conforme os dados resultantes.

5) E por fim, com base nestes dados coletados e agrupados semanalmente, tomar providencias estratégicas para conseguir gerenciar o corte dentro dos parametros de lucratividade.

No próximo artigo abordarei o ponto quinto desta exposição, com dados reais colhidos na prática numa indústria local. Quero demonstrar a importância de um gerenciamento efetivo da seção corte e o alto custo em deixar de faze-lo.

Zdenek Pracuch