POUCA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA.

Avolumam-se as vozes criticando a pouca eficiência da máquina administrativa dos governos em todos os níveis. Os críticos estão cobertos de razão, porque o retorno dos tributos pagos é muito pobre. O dinheiro está mal gasto, mal administrado e sobre os controles é melhor calar.

Mas, olhando de perto a gestão e administração da maioria de nossas empresas e falo só do ramo calçadista, não está muito melhor que a administração pública. – Com as drásticas mudanças nos mercados tanto interno quanto externo, o tempo que antigamente gastava com questões sobre tecnologia e problemas na área de produção, pessoalmente hoje gasto a maior parte do tempo na análise dos métodos gerenciais nas empresas onde presto assistência.

O resultado das análises não pode ser mais desanimador. Os escritórios estão superlotados de funcionários, temos programas de informática eficientes, mas simplesmente não utilizados ou então mal aproveitados, métodos administrativos obsoletos, controles falhos ou inexistentes, enfim, o combate aos desperdícios efetuado no chão da fábrica deveria ser estendido na mesma escala para os desperdícios na gestão.

Numa empresa, ainda recentemente, analisando as demoras causadas nas entregas devidas ao planejamento deficiente, descobri que o processamento de um único pedido (conferência de dados, cadastro, crédito e aprovação) levava exatamente duas horas e trinta e oito minutos. Tempo este cronometrado e documentado pelo cronometrista a quem confiei a tarefa.

Em outras palavras, uma pessoa embora no caso a tarefa fosse dividida entre várias pessoas, trabalhando nove horas por dia, podia analisar e encaminhar QUATRO pedidos por dia, e isto no caso, em que tudo estivesse em ordem, sem necessidade de explicações do representante ou vendedor, ou algum esclarecimento da parte do comprador!

Não achem graça, não! As fábricas estão cheias destes exemplos. O que acontece nas compras, nos almoxarifados, nas contas a pagar e a receber, no planejamento, na contabilidade etc. muitas vezes é inacreditável. Pior de tudo é que com todo este aparelho administrativo, qualquer dado solicitado, leva às vezes dias para ser fornecido.

Perguntem a um empresário médio, qual foi o resultado em lucro ou prejuízo do mês que ora se findou. A resposta será, com quase certeza “não sei” ! E do mês anterior? “Também não sei!” E quando o saberá? No fim do ano? Quando já pode estar quebrado?

O mesmo se aplica ao controle de capital de giro, o mesmo se aplica ao planejamento financeiro, ao planejamento de investimentos, ao planejamento do rumo que a empresa deverá tomar nos próximos anos.

Falar em planejamento estratégico assusta muitas pessoas, mais ainda quando tantos gurus de administração fizeram com que isso parecesse uma ciência. Na realidade o que representa o planejamento estratégico? Esclarecer a si mesmo o que quero atingir dentro de dois ou cinco anos, até que ponto quero levar a empresa, qual será o meu foco no mercado – calçado esportivo, feminino, para a faixa dos seniores, calçado com ênfase no conforto, na moda, calçado com maior valor agregado, calçado de combate para balaio de liquidação – simplesmente saber aonde quero ir, sem ser conduzido por circunstâncias como uma folha deslocada pelo vento.

Produzir calçado é fácil. Produzir calçado ótimo é um pouco mais difícil, mas ainda é mais fácil do que conduzir uma boa gestão. O tamanho da empresa não representa nenhuma segurança para uma boa gestão. Vemos empresas com a produção bastante modesta que servem de exemplo de solidez e seriedade. E vemos, ultimamente, firmas de nomes famosos beirando a falência. A que pode ser atribuído isso? Unicamente à gestão deficiente, falta de controles administrativos eficazes e a uma falta completa de planejamento e de definições.

O fantasma da importação está nos rondando pelo menos há cinco anos. Podemos contar nos dedos de uma só mão as empresas que tem estratégia definida para se defender e sobreviver. Porque são tão poucas? Cada um procure a resposta por si e, quem sabe, faço votos que acerte a descobrir onde estão as suas próprias fraquezas.

Zdenek Pracuch

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