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UMA ESPIADA PARA LÁ DA FRONTEIRA. Passei uma semana, voltando ás origens, numa fábrica da Bata Shoe Organization Mundial, desta vez na Holanda, na cidade de Best. Não é segredo algum, que Bata não mais consegue atender a demanda pelos seus calçados com a produção própria e, também, não há interesse em criação de novas indústrias. A solução é buscar parcerias e com elas atender o mercado. Assim, uma fábrica brasileira de calçados a que dou assistência há muitos anos foi convidada para uma parceria, e trabalhamos uma semana no desenvolvimento do projeto. Trabalho á parte, tive bastante tempo de pensar, avaliar e comparar. Ás vezes é bom sair da rotina que leva a acomodação, leva á falta de perspectiva e a ficar acostumado com aquilo o que se vê. Foi bom entrar outra vez numa fábrica, onde se chegou á quase perfeição em termos de organização, planejamento, produção e produtividade, onde o trabalho flui como um rio caudaloso, tranqüilo e potente. Disse quase á perfeição porque a perfeição completa não existe. E, mesmo neste ambiente, os funcionários são encorajados a apresentar novas idéias, como melhorar mais, sempre. Há certas comparações, que não podem ser feitas. Por exemplo, nenhum funcionario de lá tem menos de um segundo grau completo (equiparando ao nosso) e muitos têm cursos de extensão. Os chefes, todos, fizeram estágios em outras fábricas da organização em outras partes do mundo, além dos cursos de aperfeiçoamento e a troca de informações entre várias fábricas que é constante. É óbvio, que isto facilita a introdução de novas técnicas e tecnologias. Mas o ponto mais importante, onde há diferença entre o nosso empresariado e o gerenciamento da Bata é o planejamento. Não o planejamento da produção diária. Nisto hoje em dia nem pensam, de tão enraizada estar a rotina. Falo do planejamento á médio e longo prazo. Só para exemplificar: o projeto no qual estamos trabalhando tem prazo final de três anos e deve atingir o pleno funcionamento em dezoito meses. O resto do tempo será destinado ao desenvolvimento de novas tecnologias, algumas das quais estão hoje ainda em estágio de testes. Mas o cronograma está estabelecido, o que não significa, que não possa haver desvios, adiantamentos ou atrasos. Mas, desde que se saiba qual é a meta final, o planejamento funciona como guia e cobrador. É raro encontrar no nosso meio, uma indústria que sabe o que irá fazer até o fim do ano, ou pior ainda, daqui a um ano! Mas convenhamos, ninguém sai para estrada sem saber para onde vai e por onde irá. O mesmo vale para qualquer atividade humana e, muito mais, para atividade industrial com seu compromisso com funcionários e coletividade. O planejamento envolve previsões, cálculos, simulações de situações, acompanhamento de novas tecnologias etc.. Todos estes fatores terão influencia sobre o futuro da empresa e como tais devem ser considerados. Não estou traindo nenhum segredo industrial, qualquer revista do ramo fala abertamente sobre isso: tecnologia preocupada com futuro, investe hoje em desenvolvimento e aplicação de materiais têxteis que absorvem suor e o transmitem para a atmosfera, investe também no TPU, que já começou desalojar o PU comum, que é um material basicamente bom, mas nem tanto. Não estou avançando sinal. Quero só alertar contra a acomodação, contra a dormência que a rotina massacrante traz. Quando comparo nossas fábricas, a maioria delas cheia de retalhos, de calçados meio produzidos por toda parte, montes de calçados no acabamento, com as fábricas organizadas, onde a produção flui, sem nenhum par fora do seu lugar, vejo quanto trabalho ainda está por ser feito na educação e na conscientização tanto dos proprietários quanto dos funcionários. Será um longo trabalho, prejudicado ainda pela pressão das circunstâncias, pela lentidão da reação dos envolvidos, acostumados levar tudo com calma e esperar por um milagre que irá mudar tudo com toque de varinha mágica. Passei por uma reciclagem, voltei ao seio da organização em que me criei, e voltei com uma motivação mais forte para mudar as coisas que necessitam de mudança. E, podem acreditar, são muitas. |
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