CALÇADOS ESPORTIVOS E ATLÉTICOS NO MUNDO

Um profundo conhecedor da problemática da indústria e do comércio de calçados é o ex-presidente da associação de distribuidores e lojistas de calçados norte-americanos, Peter Mangione, bem conhecido dos brasileiros. Era grande amigo do Wilson S. de Mello e comparecia quase a todas as Feiras brasileiras, como Couromoda, Francal ou Fenac. Hoje é diretor executivo da firma de consultoria Global Footwear Partnerships.

As opiniões dele, com o conhecimento global da indústria e do comércio, têm um grande peso na tomada de decisões e na orientação dos grandes conglomerados. Com acesso às informações privilegiadas é sempre importante ouvir o que tem a dizer e tentar tanto interpretar como aplicar a situações específicas.

Na opinião dele, o mercado de calçados está encolhendo nos Estados Unidos. Em apoio à observação dele vem a estatística infomando que os americanos consomem menos calçado que nos anos anteriores. Em 2009 foram vendidos 2.2 bilhões de pares no valor de USD 60 bilhões, no varejo, sendo assim uma média de 6,7 pares por pessoa. Isto apresenta um decréscimo importante contra os anos 2007 e 2008 quando foram vendidos 8 pares por pessoa. Os números podem melhorar em 2010, mas nunca vão atingir os 8 pares, afirma ele categoricamente.

Deste total o segmento mais importante são os calçados atléticos ou esportivos, que representam algo em torno de 45 %. Mas não é um mercado em expansão. Se Você quer crescer, diz ele, se Você quer expandir, isso só se dará às custas de alguém que vai perder a parte do mercado que era dele. A concorrência é violenta. Os consumidores estão preocupados com a qualidade e preço, nesta ordem, e não estão preocupados com fidelidade à marca. Assim, se Você quer crescer tem que roubar mercado de alguém.

As proeminentes marcas americanas dominam o mercado e entre as dez marcas preferidas dos americanos, somente Asics e Avia são genuinamente asiáticas. a Puma ainda é alemã. As restantes encabeçadas pela Nike, Brand Jordan (também Nike), New Balance, Adidas (era alemã, hoje é USA), Reebok (divisão da Adidas), K-Swiss e Skechers são todas americanas, embora quase nenhuma produza por conta própria. Todas têm produtores sob contrato em vários países.

A força destas marcas, segundo Mr. Mangione se deve principalmente ao endosso dos atletas populares nos Estados Unidos, que ajudam a reforçar a imagem da marca. Ele atribui a força das marcas americanas à, digamos, divisão do trabalho. Há uma separação bastante marcante entre a produção, fabricação propriamente dita e o marketing, promoção e as vendas. As firmas americanas hoje devotam a maior força e as melhores cabeças na promoção e fixação das marcas na mente dos consumidores e deixam a problemática da produção aos produtores especializados e equipados para isso.

É óbvio, que para se chegar a este ponto, as corporações devem atingir um volume respeitável de produção e de vendas. Não há como imitar estes procedimentos na situação atual do mercado brasileiro, mais ainda, sendo invadido pelos produtos asiáticos. Mas pode servir de modelo para orientação de estratégia para os anos futuros, anos de especialização de cada segmento e abrir as mentes dos nossos empresários para esta tendência.  Se o empresário foi bem sucedido como produtor e industrial, isso não quer dizer que também o será como comerciante e negociador com visão do mercado que está sofrendo umas mudanças dramáticas.

Conheci em Nova York um pernambucano, Fernando Cordeiro de Mello que lá trabalhava para Peri Igel da Supergás. Um dia me disse – Pracuch, se Você vai ver os americanos se atirando do décimo andar sem olhar para baixo, vá com eles, porque com certeza é a melhor coisa a se fazer no momento!

As observações do Mr. Mangione são válidas, como uma orientação, em termos globais a médio e longo prazo. A divisão mais pronunciada entre produção e vendas já está sendo observada e sentida, só que muitas vezes, no nosso caso, ela é mal aplicada, devido ao egocentrismo dos nossos dirigentes que, com base no sucesso dos anos de euforia na indústria e no comércio, estagnaram no tempo e no espaço.

O que vale para endosso dos atletas americanos para calçados atléticos ou esportivos, vale para qualquer gênero e tipo de calçado. Desde que devidamente promovido com as personalidades adequadas, formadoras de opinião e de respeito. E, muito importante, isto é tarefa para profissionais e especialistas com grande experiência no mercado. De modo algum não é tarefa para o filho ou filha, do dono da fábrica, que está cursando segundo ano da faculdade de marketing.

Zdenek Pracuch