UM EXEMPLO

Tive a honra e o prazer de participar da festividade do lançamento do primeiro calçado biodegradável do mundo, criado e desenvolvido pela indústria de calçados de Franca – Sapatoterapia (pagina da empresa, aqui); O calçado 100 % biodegradável foi certificado pelo Instituto Pró-Verde e pelo IbTec – Instituto Brasileiro de Tecnologia.

O calçado é 100 % biodegradável. Após a solenidade foi enterrado no jardim da empresa, com uma muda de pequeno pinheirinho dentro e fomos todos convidados pelo diretor presidente da empresa Sapatoterapia, senhor Leonildo Ferreira, para comparecer daqui a cinco anos no mesmo local, para ver o pinheirinho crescido adubado pelo calçado do qual a esta época não irá sobrar nada.

De fato, a consciência ambiental, crescente poluição e deterioração da qualidade de vida, aquecimento global, mudanças climáticas etc. deveriam acordar toda a humanidade e o mundo empresarial para que cada um contribua com a sua parte. Todos somos responsáveis. Lembrem da fábula de um pequeno passarinho que levava uma gota d’água no biquinho para ajudar a combater um incêndio florestal.

Mas deixo às mentes e profissionais mais previlegiados a exploração do aspecto ambiental e mercadológico do evento do lançamento. A agencia de publicidade deve estar vibrando – enfim, algo realmente novo!

Para mim este evento trouxe em seu bojo um outro aspecto muito interessante, que envolve toda a indústria de calçados brasileira. Quem acompanha atentamente o que acontece no âmbito global sabe que, o centro de gravidade da produção calçadista já se deslocou do Ocidente para Oriente. Irreversivelmente. No próprio Oriente os países mais evoluídos, tais como Coréia do Sul ou Taiwan, outrora grandes produtores de calçados hoje tem uma produção insignificante em termos mundiais.

O Brasil já perdeu o segundo lugar como maior produtor de calçados do mundo em prol da Índia e estamos em vias de perder o terceiro lugar para a Indonésia. Em termos industriais nada podemos fazer contra esta evolução, do mesmo modo, como nada pode ser feito pela Alemanha, Itália, Inglaterra e tantos outros.

Disse acima “em termos industriais”. Mas muito podemos fazer em termos de diferenciação dos produtos, de criatividade, de originalidade, de logística baseada nas entregas e reposições expressas e, assim, por diante o que pode garantir uma indústria, embora reduzida, mas vibrante e próspera. Temos exemplos vivos nos Ee.Uu., Reino Unido, Dinamarca e principalmente Itália.

Foi esta perspectiva que me impressionou quando do lançamento do produto biodegradável pela Sapatoterapia. A originalidade da concepção e a marca indelével da diferenciação do produto. O produto pode  custar mais? Com toda razão! Ótimo! Não é produto para ser vendido na base do preço baixo. Não é produto para ser colocado no balaio da liquidação. É um produto do terceiro milênio, para os consumidores cientes da sua responsabilidade com o meio ambiente, com a vida.

Não conclamo todas as indústrias a lançar calçado biodegradável como uma tábua de salvação. A coisa não é nem tão simples nem tão factível. Quero que o lançamento deste produto seja considerado como indicador do caminho para a sobrevivência da indústria de calçados no Brasil – pela originalidade de idéias e pela compreensão do espírito da época em que vivemos.

Graças a Deus e ao Leonildo Ferreira, finalmente temos um produto diferenciado, uma criação original, enquadrada no contexto da vida moderna e da filosofia da preservação da vida neste planeta tão sofrido. Volto à parábola do passarinho ajudando apagar o incêndio da floresta. - Calçado em termos de poluição ambiental não representa muita coisa. Mas os resíduos da produção são imensos. Se estes forem da origem biodegradável, quanto adubo orgânico teríamos para as lavouras cansadas!

Fico na dúvida qual dos dois aspectos do lançamento pela Sapatoterapia é o mais significante. É o produto biodegradável ou a direção apontada em originalidade e diferenciação do produto, aos empresários preocupados com futuro das suas empresas? Mas uma coisa está certa – o futuro já chegou!

Zdenek Pracuch
05/09/11