NUNCA ESTE PAÍS EXPORTOU TANTO . . . !

Realmente, nunca effte paíff exportou tanto! E ultimamente está exportando até empregos. Caso da Azaléia que já produz na China é do conhecimento público, mas relativamente pouco se falou sobre a compra de uma grande indústria têxtil na China pelo grupo Coteminas, de propriedade do vice-presidente da República. O negócio deve ser fechado, segundo as últimas notícias, no próximo mês de Dezembro.

A indústria têxtil está no mesmo barco furado junto com a indústria de calçados, de confecções, de brinquedos, dos eletrônicos baratos e, pasmem, até da indústria automobilística, que já recebeu um aviso da morte anunciada, pela febre amarela.

As causas desta derrocada são múltiplas e, embora algumas delas bem visíveis como, por exemplo, o reconhecimento por parte de nosso governo da China como mercado livre, a taxa cambial desfavorável e também a perda de importantes mercados importadores dos nossos produtos, as causas são bem mais profundas e refletem, a crescente globalização, bem como, o nosso despreparo de enfrentar os novos desafios à altura.

Quais são estes desafios? No caso específico da indústria de calçados podem ser apontados:

- Atraso tecnológico e conseqüente influencia negativa sobre a produtividade, na oferta de produtos e serviços;

- Pela globalização e interpenetração dos mercados;

- O aumento da concorrência sem correspondente aumento dos mercados;

- Diminuição da margem de lucro pela guerra de preços;

- Pela preferência do consumidor pelos artigos com preço mais em conta.

Cada um dos pontos acima por si já é um problema colossal a ser resolvido tanto pelo setor inteiro, como por cada empresário individualmente. E desde que prevaleça, como sempre, a máxima “cada um por si”, a solução coletiva dificilmente virá. Os nossos dirigentes ainda vivem sob influência do ufanismo de “o couro é nosso!” e, parece, que não querem enxergar a dramaticidade da situação.

Causa estranheza o pronunciamento otimista do presidente da Francal num recente artigo, onde depois de confessar, que nos primeiros nove meses deste ano o Brasil exportou 12 milhões de pares a menos, o que totalizou 9% de queda, comentou como boa a realização de contatos com outros países. Só que o saldo desta queda foi verificado apesar do aumento de 2,5 milhões de pares exportados para 10 países europeus e árabes.

São números preocupantes e a tendência é clara e desanimadora. Porque o grosso do mercado europeu (do mesmo jeito como dos Estados Unidos) já está firmemente tomado pelos orientais. E não é só pelo preço e qualidade do produto. Acontece principalmente pela logística.

Quantas das nossas fábricas tem o capital suficiente para manter estoques em território europeu ou americano para atender os pedidos de reposição e até de compras em 24 – 48 horas? Os enormes estoques chineses nestes territórios fazem isso regularmente como parte da estratégia de vendas. Para europeus isto não representa novidade. Os compradores alemães já há muitos anos estavam acostumados a pedir calçado na Itália por telefone e receber a carga por caminhão 48 horas depois, emitir o cheque correspondente e assim concluir a compra.

Abrir uma carta de crédito (ainda exigindo por um banco de primeira linha e confirmação – clara herança da mentalidade colonial – como normalmente pedimos) e depois esperar dois meses pela mercadoria comprada? Nem pensar! Estamos no terceiro milênio, na era da internet, das transferências eletrônicas, no tempo de e-mails! A nossa maneira de comercializar precisa de atualização tecnológica igual a dos processos de produção.

É verdade: Nunca este País exportou tanto ...! Em commodities, em produtos agropecuários, em aviões (embora falte esclarecer, que mais da metade do preço de um jato da Embraer é constituído por turbinas e instrumental, todos eles importados) e, agora, pelo que parece vamos exportar também os empregos que devem estar sobrando no Brasil.

Felizmente, Franca, Jaú e Birigui estão cercadas por canaviais que podem oferecer bastante ocupação para mão-de-obra desempregada. Os gaúchos, coitados, não terão esta possibilidade. Mas este alívio também pode estar com os dias contados, porque as notícias sobre o desenvolvimento do motor movido a hidrogênio são cada vez mais freqüentes. Aí, quem sabe, vamos exportar água, setor em que o Brasil está realmente abençoado.

Zdenek Pracuch