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FEBRE AMARELA JÁ ATINGIU A ITÁLIA! O último número da revista inglesa World Footwear publica declarações dramáticas do signore Rossano Soldini, presidente da ANCI equivalente italiana à brasileira Abicalçados. São declarações dramáticas e alarmantes, que devem servir de alerta aos calçadistas brasileiros pelos ensinamentos que encerram. Segundo o sr. Soldini, como conseqüência da abolição de quotas de importação para calçado chinês para o Mercado Comum Europeu a partir de 1 de janeiro de 2005, somente nos primeiros 40 dias as importações cresceram 600 %. Que não haja dúvida sobre o número – seiscentos por cento nos primeiros quarenta dias do ano! E completa com mais dados elucidativos: 600 % em quantidade, mas com declínio nos preços de 27,8 %. Segundo ele é uma situação intolerável, onde as piores previsões se tornaram realidade. China está se prevalecendo do câmbio desvalorizado, leis trabalhistas que ou não existem ou não são observadas, onde menores não sofrem restrições para trabalhar, e ninguém se preocupa com ecologia e com resíduos industriais. Fica difícil competir nestas condições. Segundo ele ainda, o quadro que está desenhado no horizonte é um rápido desmonte da indústria de calçados européia com fechamento de umas 12.500 companhias e perda de 320.000 postos de trabalho na Europa e 7.300 companhias e 103.500 postos de trabalho na Itália. Signore Soldini convocou os ministros das áreas respectivas, junto com representantes das indústrias têxteis, que se encontram ameaçadas do mesmo modo como as indústrias de calçados para exercerem pressão em Bruxelas na sede da Comunidade Européia para colocar salvaguardas antes que seja tarde demais. Para nós a notícia que completa o quadro negro é, que dentro das importações com aumento de 600 % em 40 dias, o calçado de couro com solado predominante de couro teve um aumento de importação de 1.379,8 % !!! Para a Europa! Onde ficaremos nesta situação com nosso calçado de couro? Se formos analisar friamente a situação, podemos deduzir que, o rápido crescimento se deve em primeiro lugar às relações comerciais já estabelecidas pelos chineses antecipando a queda das quotas. Quando as quotas caíram, simplesmente começaram entregar os pedidos já contratados anteriormente para os clientes com quem já negociavam em escala menor. Podemos deduzir, que a invasão chinesa do Brasil ainda não aconteceu na proporção que aconteceu na Europa, porque ainda não havia trabalho preparatório. Posso até acreditar que os próprios chineses ficaram surpreendidos com a facilidade com que o Brasil abriu as portas, do mesmo modo como nós também não esperávamos uma infantilidade destas. Em outras palavras, o que está acontecendo na Europa nos espera também, é simples questão de tempo. Com uma agravante, se vai ser difícil competir com eles aqui, imaginem lá fora, onde já estamos chegando com atraso. Os Estados Unidos já nos tomaram e agora, com a queda das quotas na Comunidade Européia, onde o Brasil nunca esteve forte a situação ficou insustentável. Alem de tudo, ainda devemos engolir o discurso oficial sobre a grande abertura de mercados para África - Gana, Serra Leoa, Angola ou Oriente Médio - Dubai e Kuwait, que somados juntos não chegam aos pés da metrópole São Paulo. Motivo para dar risada, se não fosse tão triste. Só o problema com queda contínua do dólar já seria uma preocupação, uma questão de sobrevivência, principalmente entre aqueles que negligenciaram o mercado nacional, preferindo exportar. Mas, como dizem os caipiras, desgraça pouca é bobagem – e a desgraça está chegando em dose dupla. Câmbio e chineses – uma combinação mortífera. Alguma coisa para nos defender pode ser feita no sentido de melhoria da qualidade do produto, no sentido da economia de guerra para oferecer preços mais competitivos, serviços perfeitos para criar uma clientela leal, mas na verdade, só os mais bem aparelhados e preparados tem chance de sobreviver. Está na hora de parar com demagogia barata pregada pelo sindicalismo do século passado. Onde o sindicato vai buscar os empregos, que está ajudando a eliminar com suas exigências, no mínimo, descabidas? – Será que é tão difícil de enxergar a gravidade da situação? Guardem este artigo e leiam-no daqui a três anos. Com fé em Deus, estarei aqui, para ouvir os seus comentários.Zdenek Pracuch |
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