FEIRAS COMO FONTE DE INFORMAÇÕES

A recente feira FENAFIC serviu mais uma vez para comprovar como pode servir de fonte de informações e de atualização de conhecimentos. É óbvio, que a gente encontra sempre as mesmas firmas, encontra as mesmas pessoas, o que não deixa de ter o seu encanto peculiar, encontra os mesmos produtos que já está usando ou os mesmos que estão sendo oferecidos nas visitas constantes dos representantes comerciais.

Mas, para quem vem a uma feira com espírito de explorador, de garimpeiro, e começa procurar sempre encontra alguma novidade que merece atenção e, muitas vezes, e acaba justificando o deslocamento para a feira. Isto vale principalmente para empresários de localidades pequenas, situadas fora dos grandes aglomerados de indústrias afins.

Acompanho por interesse profissional e por gosto pessoal tudo o que acontece no mundo dos calçados. Pelo mundo afora. E até difícil deixar me surpreender por alguma novidade em uma feira. No entanto, com espírito garimpeiro, em cada feira, em cada exibição a gente encontra algo de novo, algo de valor. O que vi na FENAFIC o que me impressionou ou me ensinou?

Dois extremos: um demonstrado por uma firma de nome mundial, incontestávelmente a número um no mundo de máquinas de costura. O outro por uma firma modesta, minimalista, mas que pode economizar aos empresários com a aplicação da sua idéia muito dinheiro, pela economia de mão-de-obra e melhora de qualidade. - Com outras palavras, o tempo despendido com a feira foi bem aplicado.

O que vi com os fabricantes de máquinas de costura? Que finalmente criaram a coragem para derrubar o tabu brasileiro ou especificamente francano, de costurar o calçado somente nas máquinas de coluna e lançaram as máquinas retas, ou planas, de mesa, de uma e duas agulhas com todos os avanços das maquinas mais atualizadas, com velocidade de costura superior á das máquinas de coluna.

Não quer dizer nada depreciativo o fato de as máquinas estarem sendo fabricadas na China, porque a tecnologia e a supervisão são alemãs. Isto até significa que o maior mercado para elas é o chinês. Agora só resta convencer os encarregados dos pespontos sobre as vantagens em treinamento e produtividade com o uso destas máquinas para que possamos competir em condições um pouquinho melhores com os chineses, onde hoje, pelo menos a metade das máquinas de costura é deste tipo.

A outra descoberta foi a minimalista, como já adiantei acima. Não é nenhuma idéia revolucionária, é uma demonstração de bom senso e de oportunidade. Todos nos conhecemos a pistola que aplica as etiquetas nas confecções ou calçados por meio de uma linha de sintético.

O inventor deste método faz o amarre do calçados antes da montagem, com o uso deste dispositivo, com precisão e uma rapidez incrível. Pode “amarrar” um, dois, cinco furos que sejam, em questão de segundos e, a vantagem adicional, todos na mesma distância com a mesma pressão, com precisão impossível de ser alcançada no amarre manual convencional.

O custo do material é ínfimo, bem inferior ao custo do fio, do barbante ou do fitilho, mas não é este o ganho que importa. O que importa é a rapidez, a facilidade do trabalho e a qualidade resultante do amarre de todos os cortes por igual, impossível de se conseguir pelo método usual ou, somente através de um grande esforço.

Além de proporcionar maior qualidade e vários tipos de economia este pequeno exemplo demonstra, que sempre podemos melhorar qualquer processo de trabalho. - Da soma destas pequenas economias nascem as economias significativas das quais tanto precisamos para sermos competitivos.

Nunca é demais lembrar as palavras do Thomas Bata:
- Nossa indústria é pobre. É feita de gramas, milímetros e segundos e – ai de quem desprezar isso!

Dois exemplos somente, mas exemplos ilustrativos, de como um passeio pela feira pode ocasionar um “brain storming” e servir de escadinha para aplicação de novas idéias e, quem sabe, até para despertar a nossa própria criatividade.

Zdenek Pracuch