A FRANCAL VEM AÍ!
Como o tempo voa. Parece que foi ontem que assistimos a Francal e eis a Francal aí de novo! É a mesma Francal mas com sutis mudanças, está mudando de cara e de comportamento. Imperceptivelmente, mas com uma constância que uma observação objetiva não pode deixar de notar.
Muitos dos expositores ainda não se deram conta, das mudanças sutis que ocorreram no decorrer das últimas Feiras, mas quem lembrar das Feiras dos últimos vinte anos, não pode deixar de notar como as Feiras mudaram. Mudaram, do caráter puramente comercial, justificando o título de Feiras, para um evento promocional, muito mais show do que negócio.
Cada vez mais a Feira se aproxima, pelo comportamento, do Salão de Automóvel, do que de Feira de Calçados e, ultimamente, de bugigangas. Ninguém no Salão do Automóvel pensa seriamente em vender os carros na feira. Os carros estão lá para serem exibidos e admirados. Mas na feira de calçados, os estandes se fecham cada vez mais, os crachás são estudados minuciosamente antes de ser permitida a entrada no sacrossanto estande, hermeticamente fechado.
Fechado, para ninguém se atrever a copiar as criações, todas elas já rigorosamente copiadas de todas as fontes possíveis e imagináveis, mas que são guardadas como segredo de estado. Desafio a todos os criadores para me apresentarem uma criação que possa ser chamada de realmente original. Será que a última “criação” do Louboutin o do solado vermelho, pode ser chamada de “criação”?
Talvez, porque já está até sendo imitada por uns Louboutins “dos pobres”. Podemos esperar, nesta linha de criatividade, solados verdes ou amarelos nos calçados de homens, porque no calçado de mulher os “criadores” já atacaram num carnaval de cores.
Quando se trata de Feiras, todas as considerações de gestão econômica e financeira por parte dos expositores estão postas de lado. O custo destas feiras não se limita ao custo do estande e o da decoração. Os custos correlatos são os que realmente pesam e estes, geralmente, não são levadas em conta. Custos com deslocamentos, com estadias, com passagens oferecidas como cortesia ou pagas aos representantes, custos com jantares e eventos correlatos – tudo isso, se fosse dividido pelo valor dos negócios gerados poderia assustar.
Antigamente, quando Caio de Alcântara Machado fez as primeiras feiras em São Paulo, ainda no Ibirapuera, era comum voltar com o talão de pedidos recheado para a produção de quatro a cinco meses. Hoje, dificilmente, preenche cinco semanas de produção, quando em casos extremos não chegua a cinco dias!
Considerando se o custo o feira, ainda temos que acrescentar a despesa originada dentro da empresa, com a “criação” de dezenas de modelos, de tentativas, de acertos e desacertos, horas extras de trabalhadores, custo invisível da pressão e de nervosismo dos colaboradores que estão trabalhando com olhos no relógio e no calendário. Para que? Para produzir dezenas de modelos, dos quais quatro ou cinco agradam e o resto é descartado. Tudo o que uma pesquisa de mercados e analise de tendências, feitas com profissionalismo poderia evitar.
Infelizmente, a mentalidade do “sempre fizemos assim” ainda prevalece no nosso meio e muito pouca gente se deu conta de como mudou a forma de comercialização e de promoção comercial neste terceiro milênio.
Pior que tudo isso é ainda o hábito, ou melhor, a demonstração da falta de planejamento e da confiança no próprio trabalho, quando se espera o resultado da feira, a aceitação da modelagem, para só depois investir nas coleções de matrizes e equipamentos. O que por sua vez implica no atraso de entrega dos pedidos, muitas vezes de meses! Quando os concorrentes já adotaram a entrega expressaou lançaram novos modelos.
Não posso censurar aqueles que vivem numa roda viva de rotinas diárias, que não se deram conta de como está mudando o cenário da comercialização. Mas tenho pena dos recursos gastos, inutilmente, que poderiam ser aplicados com um proveito muito maior na área de promoção de vendas. Mas, não deixa de ser animador de ver que aqui e acolá já estão surgindo vozes questionando a eficácia dos métodos antigos e da própria participação nas Feiras.
Zdenek Pracuch
20/06/11