CONFORTO, A NOVA FRONTEIRA

Parece óbvio, que o calçado deveria ser, em primeiro lugar, confortável. Mas que o digam as senhoras. Raramente os estilistas se preocupam com a anatomia do pé e, quanto as próprias compradoras, o estilo, cor, a altura do salto ou o enfeite metálico, muitas vezes fala mais alto do que o calce favorável.

E já que esta tendência prevalece desde adolescência, são os pés femininos que apresentam o maior número de deficiências que, as vezes, nem as cirurgias específicas conseguem corrigir. Quantas clientes levam um calçado menor em até dois tamanhos, só porque agradou demais e a loja não tinha o tamanho adequado. Não tenho idéia de como alguém pode usar um calçado nestas condições, mas acontece, como atestam tantos balconistas.

A fase da qualidade já está superada. Hoje, todos os produtos que levam uma marca, têm uma qualidade no mínimo razoável. A clientela apreendeu a reclamar e, muitas vezes, até abusar destas reclamações, mas o fato é que, comparando com o século passado, calçados hoje produzidos têm uma qualidade muito superior, tanto no tocante aos materiais, quanto à mão-de-obra.

Praticamente não se ouve mais dos vendedores que, o calçado vai “lacear” com uso. Chegamos ao estágio onde o calçado se adapta aos músculos, tendões, ossatura e cartilagens do pé e não vice versa.

Onde ainda o conforto não é atendido ou observado na integra é no uso de materiais para forro e principalmente para as palmilhas. É notório, que os pés exsudam uma grande quantidade de suor, nos dias quentes, num calçado fechado e principalmente quando feito de materiais que não facilitam absorção de umidade.

Pouca gente sabe que temos umas 60.000 glândulas sudoríparas no pé e se a palmilha não ajudar na absorção deste suor, infestado de toxinas e de resíduos, estaremos criando uma infinidade de fungos e bactérias, com subproduto do incomodo “chulé” e de dermatites de todo tipo.

Pouca atenção tem sido dada a este item, no entanto, é um dos mais importantes para uso adequado do calçado fechado ou das botas. Botas militares, em muitos países, têm normas muito rígidas quanto a estes itens o que não surpreende. Quantas vezes os militares são obrigados, dadas as circunstancias, a calçar botas por dias seguidos?

Pelas estatísticas de análises ortopédicas e de medições, sabemos que, aproximadamente  65 % dos compradores de calçados podem usar o calçado produzido nas formas em uso nas fábricas de calçados, desde que, obviamente, estejam construídas dentro de parâmetros anatômicos.

35 % dos compradores de calçados necessitam de alguma atenção especial na hora de compra e nem todas as formas oferecidas podem servir ao uso com certo conforto. E 5 % dos compradores, infelizmente, sofrem de tamanhas deformações dos pés, que somente calçado construído especialmente para cada caso, pode possibilitar um andar com algum conforto.

O Brasil é único país, que oferece avaliação e outorga o selo do conforto aos produtos testados dentro de certos critérios. Existe certa arrogância de se auto-definir em autoridade que determina se o calçado é confortável ou não. O único agente que pode confirmar a qualidade do calce ou do conforto é o próprio comprador. E mesmo assim, após algum tempo de uso, para saber se o calçado se adaptou perfeitamente à anatomia dos seus pés.

A propaganda é uma arma poderosa é com se diz: me engana, que eu gosto! – Mas convenhamos que esta preocupação com conforto, ultimamente tão em voga é altamente louvável porque os pés, bem atendidos e acomodados irradiam bem estar ao corpo inteiro e são um importante agente de saúde corporal geral. E neste caso, um calçado mal comprado, ou mal ajustado, pode causar males, muitas vezes até irreversíveis.

Hoje já temos indústrias de calçados, inteiramente voltadas à produção de calçados, não somente saudáveis sob ponto de vista anatômico ou ortopédico, mas também sob ponto de vista ambiental – calçado ecologicamente correto, feito de materiais biodegradáveis. Estamos acompanhando os primeiros passos neste sentido, muito promissores por sinal Uma das primeiras indústrias a empunhar a bandeira de calçado biodegradável é a francana Calçados Sapatoterapia, que exibe aos visitantes um pé de calçado “plantado” no jardim e, para assim o formular, biodegradando-se! Finalmente chegamos e agimos de acordo com o terceiro milênio! Sem retorno.

Os futuros compradores conscientes da sua condição de habitantes deste planeta que deve ser protegido da destruição impensada terão mais um motivo para avaliar os produtos oferecidos. Não só pelo aspecto de beleza, qualidade, preço e conforto, mas também pela adequação ao ambiente, ou biodegrabilidade. - Se até os calçadistas estão aderindo a esta linha de pensamento e de ação, o futuro pode ser encarado com mais esperança.

Zdenek Pracuch
29/08/11