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FUGA PARA O MESMO LUGAR Estamos assistindo a um fenômeno curioso: a mudança de empresas do lugar de origem para novas paragens. Gaúchos para China, Francanos para o Nordeste e as empresas de Nova Serrana para lugares nem tão longe assim. A motivação é justificada de várias maneiras, mas no fundo é uma só: conseguir vantagem econômica sobre os concorrentes. Mas será que não há outras maneiras de se conseguir este fim com meios menos traumáticos, dispendiosos e, em muitos casos, de resultado duvidoso? – Nunca é demais ouvir o “guru” Peter Drucker: “Não se administram pessoas, como se presumia antigamente. As pessoas se lideram. Para maximizar o desempenho delas, a solução é capitalizar sobre os seus pontos fortes e seus conhecimentos, e não procurar forçá-las a adequar-se a modelos previamente definidos”. É a este ponto que quero chegar: de que adianta mudar geograficamente o lugar onde vou produzir, se estou levando comigo todo o obsoletismo praticado por aqui? O que adianta mudar de lugar, se usarei os mesmos métodos gerencias, os quais me fizeram tomar esta decisão em busca de um novo lugar, a meu ver mais apropriado para produzir? O que me adianta mudar de lugar, se vou levar comigo o mesmo acervo de gerência e liderança, que está provando que não é capaz de ser competitivo na luta feroz pelos mercados? Antes de optar pela solução tão drástica, como a mudança da empresa para uma localidade diferente seria conveniente fazer uma análise fria e objetiva (e convenhamos – quem é frio e objetivo quando deve julgar suas próprias ações?) se já foram esgotados todos os meios e métodos para melhorar a produtividade, competitividade e lucratividade da empresa? Foram buscados e contratados os melhores profissionais para completar o quadro dos líderes? Aos já existentes dentro da empresa foram dadas as condições de aperfeiçoamento constante, de treinamento eficaz e produtivo? Ou o senhor empresário faz parte do coro dos Jeremias lamentando-se que: “a minha chefia não presta, a minha chefia é fraca” – esquecendo-se que a chefia reflete a mentalidade reinante na empresa, encabeçada por ele? E não culpem os funcionários! Acabei de ministrar mais um curso de Cálculo de Consumo de Materiais. É óbvio, que nas aulas, além da matéria do curso são abordados, até informalmente, vários assuntos relativos a produção, a vida das empresas. Hoje não me surpreendo mais ouvir dos alunos quando pergunto, porque fazem determinadas coisas deste modo e não de uma maneira diferente, mais econômica, mais fácil, mais produtiva – e ouvir como resposta: “já falei, já sugeri, já mostrei, mas não se interessam, não me ouvem, não querem mudar”. Nenhum dono da empresa tem direito de se queixar da chefia, ou dos líderes, como hoje é politicamente correto chamar os supervisores, se não deu espaço para eles se desenvolverem ou não os deixou contribuir construtivamente com novas idéias e sugestões de melhoria. Com esta constatação quero voltar ao principal ponto desta crônica: Não tem sentido em mudar para outra localidade se: A - não foram esgotados todos os meios de melhora no lugar onde estou; B - se vou levar comigo os mesmos métodos antigos para o lugar novo, e C - chefiar a produção do mesmo modo deficiente, como tem feito até agora. O investimento em mudança seria muito mais produtivo se for aplicado em aperfeiçoamento dos métodos de trabalho, em novas tecnologias (novos materiais) e em treinamento dos elementos promissores dentro da empresa, que na maioria dos casos que conheço, existem, esperando apenas uma oportunidade para demonstrar a sua capacidade. O problema do treinamento já é mais difícil de equacionar. O treinamento proporcionado por entidades oficiais está desatualizado, passando ao largo da realidade das empresas modernas e produtivas. Este é um assunto específico que foge as limitações de uma crônica, mas que teria uma grande satisfação de discutir com quem tivesse a autoridade de agir no sentido de melhorar a situação do treinamento profissional vigente. Como motivo para mudança ainda aparece o argumento da maior disponibilidade de mão-de-obra nas localidades escolhidas aliado ao custo mais baixo. Pelo andar da carruagem e, pelo que já acontece no Rio Grande do Sul, ninguém perde por esperar. Dentro de um ano, no máximo dois anos, a mão-de-obra na indústria de calçados vai sobrar. Treinada, abundante e mais barata. |
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