COMO É DIFÍCIL MUDAR OS HÁBITOS

Devido a minha atividade de instruir e orientar sinto de perto como é difícil mudar os hábitos e costumes, enraizados as vezes durante decênios. Mesmo que as pessoas, os dirigentes ou executores sintam a necessidade de se atualizar e introduzir “nova ordem de coisas” como dizia Nicolo Machiavelli, resistem até o último momento, ou grão de energia, para introduzir a “nova ordem de coisas”.

Este conservadorismo a psicologia explica, mas não justifica. A natureza nos ensina que a única coisa constante é a mudança. Quanto mais, no mundo dinâmico de economia e empresarial! Mas o medo do desconhecido prevalece e qualquer sugestão de mudar a situação existente é observada com desconfiança e medo.

A situação mais exasperante é, quando a gente ouve: Ah, mas isso não vai! Tenho por princípio somente recomendar a atuação ou alteração nas coisas existentes, quando tenho minha experiência própria, por ter sido realizado por mim ou quando acompanhei alguém na execução da tarefa, que estou recomendando no intuito de melhorar o desempenho ou os resultados até agora sendo ou não atingidos.

Quando ouço – não vai! – sempre me vem à lembrança episódio vivido por mim, quando tinha 14 anos e entrei na Escola de Trabalho Bata na ex-Tchecoslovaquia. Um dia, não me lembro do motivo, mas disse ao meu instrutor a frase – isso não vai – ao que o instrutor que me parecia ter dois metros de altura (eu era ainda menino) se abaixou, paternalmente bateu no meu ombro esquerdo e me disse: menino, para o bem da tua vida, nunca esqueça o que vou te dizer agora: ou a coisa vai ou vai Você!

Por Deus, nunca esqueci. E confesso que pratiquei a mesma técnica muitas vezes na vida, até hoje as vezes, e – milagre – a coisa funciona! Quanta gente já descobriu um potencial antes desconhecido quando foi colocada entre alternativa ou executar ou desocupar o lugar? Quanta gente, de repente, descobriu que pode fazer muito mais e melhor, quando, sem fazer ameaças nem aterrorizar podemos despertar na pessoa qualidades ou habilidades nunca suspeitadas? Quando podemos mostrar à pessoa que ela é muito mais do que ela mesma sabia?  

Há dias que pensamos que o mundo está girando mais depressa, que estamos atolando em informações, que o conhecimento está escapando de nossas mãos, que estamos sendo atropelados pelos acontecimentos e começa um ligeiro pânico – será que não estou mais a altura daquilo o que se exige de mim? Estes momentos de baixo astral fazem parte da psique humana. O importante é reagir e mostrar para si mesmo que, sim, tenho capacidade e vou vencer esta parada também!

Há necessidade de uma certa coragem intelectual para ver os acontecimentos sob ângulos diferentes e fazer projeções mentais sob diversos pontos de vista. No momento o ponto mais delicado na vida empresarial é a mudança do conceito de vendas, de comercialização, com mudanças tecnológicas, mudanças nos hábitos e modos de viver, trazidos pelo terceiro milênio. Mudanças as vezes imperceptíveis, mas que já influenciam o nosso comportamento no dia a dia. Exemplo? Esqueçam o celular em casa! - Isto é fruto da minha observação, porque pessoalmente não tenho e nem uso o telefone celular.

E sei, como é difícil introduzir a mentalidade da comercialização do terceiro milênio aos empresários que durante toda a vida deles se apoiavam sobre um quadro de representantes comerciais, preparavam duas coleções por ano, iam a duas feiras e traziam pedidos para três ou quatro meses de produção. Este mundo já desmoronou. Acabou. Não adianta insistir que os novos métodos – não vão! Não é que não vão, eles já estão aqui e indo muito, muito bem, obrigado!

Como disse acima – a única coisa constante é a permanente mudança. É o tal de darwinismo na indústria. Só os mais resistentes e capazes sobreviverão. E a capacidade mais importante é, o entendimento e a habilidade de se adaptar às mudanças do ambiente de negócios. E a quantas mudanças estamos vivendo nesta época? Aqueles que nasceram na primeira metade do século passado podem atestar como mudou o modo de vida. E a gestão das empresas? Conceitos sobre moda, sobre mercado, sobre distribuição, sobre logística global, sobre comunicações instantâneas, sobre liderança, sobre treinamento e formação de equipes coesas que fazem a parte mais valiosa do ativo das empresas? Novas tecnologias, novos conceitos de qualidade, no caso dos calçados conceitos sobre o conforto e saúde dos pés?

Respondam com sinceridade – há espaço neste cenário para resistir ou não aceitar as mudanças? Devo repetir as teorias de Charles Darwin? Não há necessidade. Já sabemos que só os melhor preparados, mais fortes e os que souberam se adaptar às mudanças do ambiente sobreviverão. Longa vida a eles!

Zdenek Pracuch