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SOMOS GERENCIADOS POR INCOMPETENTES ? Há vários anos atrás foi publicado o livro O Princípio de Peter que apresentou a tese de que estamos governados ou dirigidos por incompetentes. Porque? Segundo Peter uma pessoa sobe na vida, ou é promovida até o nível da sua incompetência, ou seja não pode subir ou ser promovida mais, por falta de competência maior. Esta pessoa atingiu o seu nível de incompetência, mas continua sendo chefe, exercendo sua função de gerenciar, de dirigir, de governar. Ano passado foi publicado outro livro, desta vez escrito por Rafael Aguayo, The Metaknowledge Advantage, guru de administradores que é considerado como possível continuador da obra do Peter Drucker, e o qual não somente adotou a tese do Peter mas a ampliou e documentou. Sigamos o raciocínio dele: “Algumas pessoas chaves parecem insubstituíveis. Mas tenhamos em mente que numa organização funcional e funcionando, todas as pessoas, eventualmente podem ser substituídas. Isso tem paralelo com o corpo humano onde cada molécula ou célula é substituída com regularidade. A forma e a estrutura da pessoa permanece a mesma embora, com tempo, todas as células e a materia física foram substituídas. A renovação constante e sadia é natural. O mesmo vale para as organizações.” “Um estudo mostrou que da famosa relação das 500 maiores corporações mundiais, publicada na revista Fortune, a expectativa média da vida destas corporações é de 45 anos. Menor que a expectativa de uma vida humana.” O que se pode esperar de dirigentes e encarregados com 20 – 25 anos de vida contínua dentro da mesma empresa? Na quase maioria dos casos trata-se de pessoas sem treinamento adicional, sem estágios, sem cursos de aperfeiçoamento, estacionadas no nível de conhecimento e de experiência. O que podemos esperar? Nada. Só podemos esperar acomodação, obsoletismo, idéias ultrapassadas e a falta de compreensão de mudanças que ocorrem no mundo. Para ilustrar melhor o pensamento acima, descrevo o que aconteceu recentemente comigo. Em 1998 fiz avaliação de processos numa indústria de calçados de grande porte. Quem acompanha o meu trabalho sabe da minha luta para eliminar a colagem dos pespontos. Naquela indústria tinha, naquele ano uma média de três coladeiras de peças para duas costureiras. Fui convidado a passar por lá, novamente, em março deste ano. O mesmo gerente, há vinte e oito anos na casa, veio me perguntar, como e se poderia reduzir a mão-de-obra na colagem das peças. Sete anos depois, ainda estava com dúvidas. A empresa encontra-se numa situação nada fácil. Imaginem o que representaria ter no mínimo 50 % de mão-de-obra a menos na folha de pagamento do pesponto durante sete anos!!! A lealdade e a dedicação à empresa, embora louváveis e merecedoras de reconhecimento não são suficientes para compensar falta de técnicas atualizadas de gerenciamento, de condução de negócios. O resultado é o que vemos, cada vez com maior freqüência: colapso inexplicável de empresas antigas, aparentemente sólidas, mas incapazes de acompanhar as mudanças constantes que fazem parte da vida tanto das pessoas, como das empresas. O trágico nesta situação é o fato que, a incompetência gerencial só é reconhecida, geralmente, quando já é tarde demais. O capitalismo darwiniano é implacável. Os menos capazes são eliminados sem perdão. Só os mais capazes sobrevivem. O que vale para espécies vegetais ou animais vale para as empresas do mesmo modo. A natureza e o mercado obedecem aos mesmos princípios. A renovação constante é uma questão de vida. A acomodação, obsoletismo e a incompetência daí resultante é uma condenação á morte das empresas dirigidas por incompetentes. |
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