MANTER OS INVESTIMENTOS SOB CONTROLE
Dois fatos atuais me levaram a escrever esta coluna. Trata-se de dois fatos sobre os quais um empresário não tem nenhum controle, mas que irão afetar o desempenho da sua empresa num futuro imediato.
O primeiro fato é a inevitabilidade da Feira Couromoda. É tradicional, consagrada, preparada com um ano de antecedência e tem que ser respeitada como tal. Na realidade, de uma feira passou a ser uma exibição. Até nem tantos anos atrás, a feira garantia a produção das fábricas por alguns meses. Hoje, dificilmente garante produção de algumas semanas. O que era feira de vendas transformou-se numa competição de vaidades com estandes luxuosos, com despesas de relações públicas que nem de longe conseguem justificar a relação de custo / benefício. Feira de vaidades.
O segundo fato, por mais que se tenta camuflar com pronunciamentos oficiais espalhando otimismo, é a recessão, palavra cuidadosamente evitada, mas com a sua presença evidenciada em qualquer noticiário econômico objetivo, não engajado.
Os dois fatos, embora isolados, devem ser observados pelos empresários para orientar a sua ação, como um fato só, intimamente entrelaçado. A Feira, como já disse, tem a sua tradição e muitas empresas com medo de perder a face, participam, sabendo no íntimo, que o gasto está considerado a fundo perdido, onde o possível lucro com vendas, de longe não cobrirá a despesa.
Esta é a despesa direta, fácil de ser controlada e contabilizada. A despesa indireta relacionada com criação de novas linhas de modelos, novas formas, novos solados, novos materiais, que ocupam por meses a equipe de modelistas e de pessoas cuidando dos modelos é muito mais difícil de ser avaliada e contabilizada. Como apropriar o custo dos atrasos e complicações causados pela confecção de amostras no chão da fábrica, logo no período de maior necessidade de produção nas fábricas?
Soma-se a estes fatores a obsessão de criar (sinônimo de copiar) novos solados, que implicam em novas maquetes, em novas matrizes, que implicam em série de ajustes sempre dispendiosos e chegamos a somas espantosas de investimentos de retorno quase sempre duvidoso.
A obsessão em criação, principalmente, de novos solados, contêm elementos de difícil entendimento. Em quantas vitrines vemos solados exibidos especificamente? Já observaram, como o comprador na loja presta pouca atenção aos solados? Uma olhada só, como para se certificar de que a sola está lá e meses de trabalho, de especulação na criação e um investimento desproporcional passam despercebidos.
Como o investimento é elevado, ninguém se aventura a encomendar matrizes antes da Feira, o que depois causa atraso grande nas entregas, gerando insatisfação entre os compradores. Ou seja - este esforço todo foi válido? Compensou?
Na avaliação de uma boa gestão da empresa, estas decisões têm um grande peso. Num quadro recessivo, estas decisões, quando equivocadas comprometendo o capital de giro, já escasso por natureza, podem apressar o fim de uma empresa.
Zdenek Pracuch