COLA E PESPONTO - SEMPRE JUNTOS?


Durante as visitas que faço nas indústrias de calçados, sempre me surpreende o fato de como se gasta a cola no pesponto. Não visitei ainda nenhuma banca de pesponto, mas pelas latas de cola que estão sendo vendidas ou fornecidas às ditas bancas, acredito que a situação não seja muito diferente.

Afinal, trata-se dos pespontos ou de departamentos de colagem? Abri os meus olhos para esta realidade, quando na qualidade de diretor-técnico da Nike no Brasil fui apreender nos Estados Unidos e na Coréia do Sul, como a Nike queria que o tênis dela fosse feito. E, a primeira coisa, que ouvi do encarregado de qualidade da Nike no âmbito mundial foi: Não esqueça, que no cabedal da Nike não entra cola. Por motivos técnicos e da saúde dos pés também!

Se tive dúvida, o bom senso prevaleceu a não discuti esta afirmação. Mas, como costurar o swoosh – a asinha da Nike? Achei quase impossível de costurar o sintético sobre a superfície deslizante de mash de nylon, mas fiquei quieto. Ainda bem. – Marcação perfeita e costura a mão livre, este foi o segredo.

Nas indústrias de calçados de Nova Serrana-MG, por exemplo, a cultura da colagem foi levada pelos " técnicos ” de Franca que, naquela época, sabiam mais que os novaserranenses. Acontece que, em Franca naquela época, colava demais e cola demais até hoje. - Bem, quando a indústria de Franca cresceu de um modo explosivo, a justificativa (até que válida) era, de que as pespontadeiras não tinham bastante prática, para costurar sobre a marcação à mão livre. Mas desde então transcorreram quarenta anos, e hoje vejo fábricas de grandes marcas em Franca, que tem três coladeiras para cada duas máquinas de pesponto!

O vício ficou eternizado. E Nova Serrana, sem pensar muito adotou esta filosofia de trabalho errada e prejudicial. Alguém se deu trabalho de analisar as operações de colagem no pesponto ao ponto de justificá-las? Alguém discutiu seriamente com o modelista a seqüência de trabalhos no pesponto, principalmente no tocante de evitar a colagem?

Imaginem o seu pesponto sem as coladeiras: economia de mão-de-obra, economia de cola, limpeza do produto e do ambiente, maior perfeição de costura não prejudicada com a cola que gruda nas linhas, até a economia do espaço que este serviço, na absoluta maioria de casos supérfluo, acarreta?

O estudo de tempos e movimentos, de racionalização de trabalho, de economias a partir de modelo, ainda não é praticado de uma maneira sistemática e eficiente, mas é um componente importante na formação de custos e, por tabela, de competitividade.

Recomendo a todos, para se prepararem melhor em termos de tecnologias apuradas para a grande batalha de competição que já começou.

 

Zdenek Pracuch