MELHORAR A GESTÃO
Melhorar a gestão de que? A resposta é óbvia – melhorar a gestão de tudo. Aonde a gente olha, tudo é suscetível a uma melhora considerável. A começar pelo fracasso do tão apregoado PAC, que nunca decolou, não por falta de meios, mas por falta do gerenciamento. Até às dificuldades experimentadas por falta de uma boa gestão, pela menor empresa do ramo calçadista.
A causa do rendimento abaixo do necessário, do esperado ou até do fracasso completo, pode ser atribuída à gestão falha ou até à uma ausência completa de gestão. Discuti, outro dia, esta questão com um estudante da faculdade de administração e concordamos que não existe nada de aproveitável no tópico da gestão nas matérias ensinadas. Há um sem número de livros e artigos especializados focados nesta questão. Não é que há falta de conscientização sobre esta falha. Mas como ensinar uma boa gestão? Cada empresa é um mundo de problemas específicos.
A começar pela formação dos nossos dirigentes empresários, principalmente, quando se trata de empresas familiares, de primeira ou segunda geração. Quando se trata de primeira geração, a figura do fundador, onipresente e onisciente ofusca qualquer tentativa de implantação de uma gestão racional, impessoal e condizente com a realidade reinante na vida econômica, financeira e comercial. Com um fator complicador que hoje é o entrelaçamento da economia global com a nacional e mudanças inovadoras que impedem que sejam capitalizadas as experiências anteriores.
Não é costume brasileiro, de enviar os herdeiros das empresas familiares para estágios estendidos nas firmas do ramo, até no exterior, ou uma formação em escolas técnicas do ramo industrial a que as empresas se dedicam. – O melhor tipo de ensino sempre foi o do exemplo dado. Em que os nossos futuros empresários podem se espelhar? No fundador que já atingiu uma zona de conforto, da qual resiste em sair e teima em perpetuar as idéias, hoje obsoletas?
O herdeiro não encontra uma equipe profissional, atualizada, treinada ou que traz experiência adquirida em outras empresas, porque na opinião do fundador, ninguém entende mais do negócio do que ele, que começou do zero – e, olhe aonde consegui chegar!
Resultado desta concepção é o lamentável fracasso da segunda geração, que deveria fazer o negócio crescer e prosperar, mas à qual, lamentavelmente, não foi proporcionado o treinamento necessário para este desempenho. Não foram treinados para planejar, projetar simulações, inovar. Quando a economia caminha para makro foram criados para serem microgestores. Preocupados com rotinas, detalhes e minúcias dos negócios, deixando escapar, não visualizando, o quadro geral da economia e dos seus desdobramentos. Nunca foram treinados para coletar e, principalmente, analisar as informações e delas deduzir as possíveis conseqüências para estratégia do próprio negócio.
O ex-embaixador nos Estados Unidos, Rubens Ricupero, numa entrevista concedida à revista Management foi muito feliz na descrição do problema. Diz ele: “Acolhemos a inovação facilmente, admiramos o estrangeiro e é graças a isso que conseguimos aprender com ele. Mas creio que o Brasil tenha mais facilidades naturais para produzir líderes, do que para criar gestores. Gestão depende muito de valores como disciplina, treino, formação educacional apurada, que não são particularmente associados à historia do Brasil, enquanto liderança está relacionada com qualidades intrínsecas , espontâneas. Mas nossa gestão pode evoluir.”
Senhor embaixador, senhor está certo. Somente uma ligeira correção: a gestão não pode evoluir. Ela deve evoluir, sob pena de ficarmos irremediavelmente atrás dos nossos concorrentes globais, em todos os ramos e em todos os sentidos. Não será fácil de tirar os nossos gestores da zona de conforto. Sei, da minha própria experiência profissional, que não é fácil mostrar aos dirigentes das empresas, aos gestores, de como estão atrasados na questão da gestão produtiva, eficiente e competitiva, nos planejamentos, nos controles, no estabelecimento de metas e das suas cobranças, na gestão da eficiência do material humano, nos programas de treinamento etc. etc. etc.
A palavra gestão impressiona. Mas praticá-la com eficiência, para que traga resultados positivos e para que coloque a empresa na área de plena competitividade e lucratividade nunca foi e nunca será fácil. Mas, sem dúvida alguma, é imprescindível.
Zdenek Pracuch
24/09/12