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MENE, MENE, TEQUEL E PARSIM
Desta vez não foi a mão de Deus que paira muito acima dos problemas da indústria de calçados brasileira, desta vez foi a mídia, comentaristas econômicos e outros, à cujas vozes se juntaram as declarações de uma pessoa, que pode ser considerada como profundo conhecedor da realidade calçadista brasileira. Os que não tinham lido, fariam bem, se procurassem ler no último número da revista Tecnicouro na página 90 a entrevista concedida pelo Francisco dos Santos, dono da Couromoda. O homem, que promoveu 35 Couromodas, deve ser ouvido quando externa opinião sobre o setor calçadista. E o que o Chico disse? "- A China é uma grande ameaça ao Brasil, que precisa se especializar, manter mercado doméstico, dominar o mercado latino-americano, tentar vender aos países ricos, valorizar os serviços e fazer coisas que os chineses ainda (sic) não fazem. Eu acabei de ler um dossiê feito pela indústria calçadista italiana sobre a China, que assusta a vários países que não tem condições de competir com ela. Não é, felizmente, o caso do Brasil, que tem matéria-prima abundante, arranjos produtivos locais e outros fatores favoráveis. Eu acredito que o setor viverá momentos muito bons na próxima década.” O tom otimista da última frase do Francisco dos Santos está em franca contradição com a primeira frase, mas que seja. Mesmo assim, a matéria-prima abundante está sendo exportada em condições favorecidas, em boa parte para a própria China, os arranjos produtivos locais ainda estão para mostrar para que vieram e “outros fatores favoráveis” mereceriam uma enumeração detalhada. O fato é que, do jeito como a indústria de calçados em geral, no Brasil, está sendo conduzida hoje, as condições de sobrevivência são mais do que precárias. Porque? Há uma carência generalizada de administração tanto dos negocios, como de produção á altura do século 21. Há um desperdício endêmico de tudo o que faz parte de uma indústria: matéria-prima, insumos, mão-de-obra, energia, tempo e de idéias. A indústria de hoje é dirigida por dois tipos de dirigentes: uns muito jovens que ainda estão na base da tentativa e acerto e outros muito velhos querendo aplicar métodos de trinta ou quarenta anos atrás. Aos quadros de chefia do chão da fábrica aplica-se o mesmo, com uma agravante. Os jovens ou não tiveram nenhuma instrução técnica ou foram treinados por instrutores, com conhecimentos há muito obsoletos. – O quadro não é nada favorável. – Como disse o Ozires Silva, ressuscitador da Embraer: todo conceito de administração é fácil de entender, mas é difícil de ser praticado. Não estou teorizando. Por onde ando trabalhando, estou provando, só como exemplo, que as empresas não sabem planejar, não sabem economizar, não sabem calcular o custo pelos métodos do terceiro milênio e assim por diante. Mene, Mene, Tequel e Parsin está desenhado na parede em letras de fogo. Só posso dizer, acordem meninos, ainda está em tempo de criar defesas. E já que falei tanto em chineses, sabiam que o ideograma chinês para crise é formado de duas palavras: RISCO e OPORTUNIDADE. Quem vai agarra-la?
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