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ECONOMIA DEPENDE DO MODELISTA Já escrevi demasiados artigos sobre todos os tipos de desperdícios que ocorrem na indústria de calçados. Todos estes desperdícios são visíveis, e na maior parte podem ser verificados na hora da coleta de lixo das fábricas. Mas piores desperdícios são os que não são visíveis na hora de manipulação de materiais. São os desperdícios embutidos no modelo, impossíveis de identificar no produto acabado. É notório o despreparo dos nossos modelistas para aquilo o que chamamos de modelagem técnica. Modelista técnico do tipo clássico deve ser capaz de transformar as fantasias e idéias dos criadores de modas, para que estas sejam possíveis de ser produzidas com economia e qualidade. Quando os nossos modelistas recebem como tarefa copiar um modelo de fotografia ou até de um modelo real, concentram a sua atenção ao aspecto externo e pouco se preocupam com a construção interna racional e econômica que são a característica de modelos importados de marcas conceituadas. O que vemos nas fábricas locais, nos produtos desenhados pelos modelistas locais? Desprezo absoluto para os ditames da economia: peças sobrepostas em excesso sem nenhuma necessidade, peças com pontas agudas que dificultam o encaixe lógico de peças na hora do corte, quando um arredondamento, principalmente o oculto não faria diferença. Tamanho maior que o necessário de contrafortes ou de biqueiras, palmilhas com excessos laterais. Isso só falando de cabedais. Desperdício na alta freqüência , onde a peça base é cortada grande demais, sobrando de 2 a 5 centímetros nas laterais, que depois vão para o lixo porque não há como aproveitá-las. Na manipulação de borracha, pelo menos, há o consolo que os restos não vulcanizados podem ser calandrados novamente, mas mesmo assim há abusos. Nas fábricas estrangeiras, as de alta produtividade e organização, existe uma separação básica. Temos duas modelagens: uma de criação e outra técnica, a que se preocupa com racionalidade na produção e com economias na manipulação. Mas uma regra é férrea: não se corta nem protótipo, sem antes passar pela mesa do desenhista-calculista para ver se o material será bem aproveitado. Esta lição deveria ser aprendida. Quanto dinheiro poderia ser economizado, se assim fosse feito, no lugar de mandar fazer logo o jogo de facas sobre o primeiro protótipo! Se o modelo não foi vendido para ninguém ainda, podemos mudar as linhas dele ao nosso bel prazer, se a finalidade é fazê-lo mais econômico. Está na hora dos empresários se preocuparem com o custo dos modelos a partir da criação e não na hora de negociação com possíveis compradores. - Encontrei há dias um gaúcho de cepa que presta este tipo de serviço à algumas importantes empresas locais e fiquei impressionado com duas coisas: a primeira foi o nível de desperdício nos modelos trazidos a ele por fabricantes locais para serem corrigidos, e a segunda foi o valor da economia por ele conseguida. A importância deste trabalho será cada vez maior. Estaremos competindo com empresários afinadíssimos na arte de produzir com economia máxima imaginavel. São empresários de países onde a miséria é real e a exportação é uma questão de vida ou morte. Fiquemos de alerta mas não parados. Há muito a ser feito. Zdenek Pracuch |
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