SUTIS MUDANÇAS

Está ocorrendo, quase que imperceptivelmente, uma mudança revolucionária na concepção de produção e de comercialização do calçado no âmbito global, embora já presente no Brasil também.

A confidencialidade profissional me impede de citar os nomes, mas as primeiras tentativas desta divorciação entre produção e comercialização de calçados, já as temos em Franca também.

De que se trata? Aquilo, o que a primeira vista poderia ser chamado parceria ou terceirização. Mas trata-se de algo bem mais profundo e sério. As grandes marcas mundiais, entre as quais podemos citar, por exemplo, Bata ou Zara, porque já operam no Brasil, descobriram que, para manter o nível de crescimento e modernização, simplesmente, não havia capital que chegasse. Para modernizar fábricas obsoletas ou para adquirir melhores ou novos pontos comerciais, com capital de terceiros, até em forma de capital acionário, não havia interesse..

Responder às Assembléias de acionistas, que não tem a mínima noção sobre o mercado ou sobre as economias nas quais a empresa atua, e cujo interesse único é o valor de dividendos a distribuir, esfria qualquer tentativa em atrair capital de terceiros. Qual é a solução?

Uma parceria séria: Dedique-se a produzir, que eu me encarregarei de vender a sua produção! Isso, até hoje, olhando sob ponto de vista dos donos (não disse empresários!) de empresas pequenas ou médias, é algo completamente impensável. Eu faço e aconteço. Ninguém sabe melhor do que eu o que convém à minha empresa! Concordo que, até o fim do século passado, esta era a linha de pensamento a ser seguida. Mas veio a globalização. E com ela veio a especialização em tudo quanto é atividade.

Somente para manter as empresas com produtividade e eficiência competitiva máxima o dia do empresário deveria ter 48 horas. Deveria ficar cercado de colaboradores de alto nível com excelente treinamento. Mas nenhuma destas duas premissas existe na prática. Ou seja, o empresário é absorvido integralmente por problemas decorrentes da atividade produtiva, do dia-a-dia. Qual é o tempo que sobra para pesquisa do mercado, para contatos informativos sobre as tendencias e todo aquele aparelho de informações sobre o mercado, que representa a vida ou a morte da empresa?

Acontece que a comercialização também sofre as mesmas mudanças quanto as tecnologias  de produção. O mercado mudou, globalizou-se. Hoje competimos na Rua 25 de Março ou no Shopping Iguatemí com produtos do mundo inteiro, de qualidade indiscutível e por preços, não poucas vezes, melhores do que nos conseguimos oferecer!

O comportamento dos compradores também mudou. Pela ação dos concorrentes, pela ação dos Procons da vida,  pela influencia da moda, realçada pelas novelas Globais – como o coitado do empresário vai se orientar com segurança nesta selva de informações, muitas vezes conflitantes, neste mundo completamente novo e diferente?

A resposta está na separação das duas atividades, ou seja, da produção e da comercialização. Cada uma sendo conduzida por especialistas e unidos por um acordo de parceiros integrados. - Parem e observem com um pouco de tranqüilidade e conseguirão identificar os sinais dos novos tempos.

Do mesmo modo como Tomás Bata observando a linha de montagem do Henry Ford idealizou a separação de operações individuais na produção de calçados e criou, há quase noventa anos atrás, as “esteiras” de hoje, estamos a dar os primeiros passos numa outra direção, com a mesma finalidade: separar as operações para ganhar na eficiência numa escala bem maior, do que o esforço individual o permitiria, tentando abranger a operação inteira.

Aquelas batidas na porta é o futuro que está entrando!

Zdenek Pracuch
28/03/11