AS MULHERES NO COMANDO
Pois é, senhores, donos do mundo. Abram os olhos porque o tal de sexo frágil, que de frágil não tem nada, está avançando cada vez mais sobre os postos de comando, que até hoje pareciam inexpugnáveis sendo dominados por homens. Esta situação, embora já bastante mudada em algumas regiões do mundo, ainda é bastante visível na América do Sul, com seu machismo e paternalismo tradicional ou em alguns países da Ásia, que conheci durante as minhas andanças pelo mundo. Por exemplo o pesponto no Egito é composto exclusivamente por homens.
Nunca vou esquecer o susto que levou o dono de uma trading paulista com quem viajei pelos Estados Unidos. Entrando num avião da companhia Republic Airlines, hoje pertencente a Northwest, na porta da cabine do comando estava uma senhora de meia idade com quatro tirinhas douradas nas ombreiras, ou seja, comandante. Durante o vôo, o outro piloto, comandante homem, saiu da cabine e foi para o fundo do avião. Comentei com o companheiro: “Sheva, quem está pilotando agora é a mulher.” O homem ficou rígido, olhar vidrado, parou de falar, enquando não viu o comandante homem voltar para a cabine. Sheva é judeu, nascido na Jordânia, o que explica em parte o seu comportamento na avaliação das capacidades femininas.
Em compensação, na Escandinávia ou na Rússia, as mulheres não sofrem nenhuma discriminação e, mesmo para homens com pensamento liberal é quase um choque ver uma mulher dirigir um ônibus em Estocolmo, do tamanho de uma casa, com naturalidade e a maior tranqüilidade, juntando função da motorista com a de cobradora.
Na Rússia, onde durante a perestroika montei duas fábricas de calçados, também levei o meu choque, quando pedi para derrubar uma parede e apareceu um bando de mulheres – pedreiras, cuja chefe me perguntou qual é a parede que deve cair! Ou na Estônia, numa outra fábrica de calçados, numa reunião de diretoria, os dois únicos homens eram o diretor geral e eu, importador.
Já em Bangladesh, na Coréia do Sul ou na Índia esta situação de mulheres no comando é impensável, a despeito do fato da Índia ter sido governada durante anos por Indira Ghandi, uma senhora.
Estes fatos ou situações vividas me ocorrem, quando exerço minha assistência às indústrias de calçados em diversos lugares no Brasil. E, curioso, até no Brasil podemos notar diferenças regionais, relativas ao comportamento com relação às mulheres. Por exemplo, em Franca, devido a tradição centenária da indústria de calçados não é comum encontrar mulheres em posição de comando, a não ser, membros da família ou por laços de parentesco. Os pespontos são uma exceção mas mesmo aqui, os homens são a maioria dos chefes, ou líderes, como hoje é politicamente correto chama-los.
Já em Nova Serrana, muito mais nova no mundo industrializado de calçados é muito fácil encontrar mulheres no comando, não só de departamentos, mas de fábricas inteiras e, o melhor da história, com grande sucesso. Numa destas fábricas, duas mulheres se destacam pelo trabalho executado na área de administração e de finanças. Dª Zélia, cuidando com rara eficiência da parte financeira e a Lucinéia, responsável pela contabilidade de resultados e de acompanhamento da evolução do capital de giro, hoje, ambas áreas da maior importância na vida empresarial.
Acompanho agora, também, a ascensão profissional de sucesso, da Patrícia, uma jovem senhora, que comanda a produção numa indústria de calçados, a que chamo a “fábrica do terceiro milênio” pela configuração e o método de trabalho. Mais ainda: a Patrícia já está treinando uma nova gerente de produção a Ângela, com vistas ao próximo aumento de produção.
Reconheço que o começo não foi nada fácil para ela se impor como gerente de produção, mas com valor pessoal, seriedade e perseverança, aos poucos, os operários foram reconhecendo o profissionalismo real, o aceitaram e aprenderam a respeitá-lo .
Nem tudo o que os homens fazem merece ser copiado. Aí está uma grande oportunidade para as mulheres mostrarem ainda mais a diferença em comportamento e seriedade. Hábito masculino de terminar o dia numa happy hour no bar da esquina, positivamente, não fica bem para as futuras executivas. Um copo de cerveja na mão de uma mulher, destoa da própria feminilidade. Olhe, nunca fui machista, mas sempre tentei primar pelo bom gosto e avaliar a elegância nos hábitos. Mas, mulher a mesa de um bar com um copo de cerveja e cigarro na mão ...
Para todas as mulheres, mencionadas nesta coluna ou as anônimas que tentam fazer sucesso no ambiente até hoje masculino, meus votos de sucesso profissional e de sentimento de realização que, até há pouco tempo, era reservado praticamente só aos homens. Boa sorte, meninas!
Zdenek Pracuch