OPERÁRIAS PARA PESPONTO

Existe uma queixa generalizada.

Faltam operárias(os) para pesponto.

De um lado é um bom sinal porque mostra que a indústria está aquecida. Por outro lado demonstra, que o treinamento está falho, ou não consegue suprir a demanda. Mas que tal, se cada um cuidasse de resolver a situação com seus próprios meios e por sua conta em vez de esperar que “alguém” vai tomar providencias.

Numa indústria de confecções em Jataí, GO onde presto assistência, este problema de falta de operários treinados era crítico, porque não havia pessoal treinado disponível na área.

Remédio? Treinar os funcionários pela própria empresa. Aplicamos a técnica de seleção e treinamento detalhadamente descrita no meu livro “Organização e gerencia do pesponto” e dentro de curto espaço de tempo, tínhamos um grupo de funcionárias treinadas dentro das técnicas mais apropriadas. É natural, que ainda levarão algum tempo para atingir a produtividade optimal, mas para quem não tinha ninguém, foi um presente do céu.

Não há praticamente investimento nenhum, só as máquinas, que geralmente existem desocupadas (até por falta de funcionários). O treinamento pode ser aplicado por próprias funcionárias mais experientes, dentro das diretrizes que serão estabelecidas.

O treinamento começa pela seleção das futuras pespontadeiras. Primeiro avaliamos a biometria (peso x altura), postura, agilidade. Passamos a testes de coordenção psicomotora, teste psicotécnico e de avaliação de percepção e de execução de instruções recebidas. E, por último, quando a candidata acumulou boa pontução sentaremos ela à máquina.

Explicação básica das funções de pedais, dos tensores de linha, colocação e posicionamento de agulha, função da lançadeira e a candidata começa a costurar sem a linha, os ornamentos xerocados sobre o papel.

O treinamento se resume em acionar e parar a máquina nos lugares certos e conduzir o papel, primeiro em linhas retas, depois em linhas onduladas e costurando figuras geométricas, sempre observando a precisão do trabalho. Muitas candidatas são eliminadas logo no primeiro dia, quando verificamos que é a máquina que conduz elas e não o contrário.

Aquelas que passarem para próxima fase, começam a costurar com linha os retalhos dos cortes, onde a tarefa pode ser manter uma distancia de dois ou três milímetros entre as linhas de costura, obedecendo o formato irregular do retalho do corte.

Desta maneira, em poucos dias (dois ou três) já temos candidata(o) preparada (o) para costurar peças mais simples na linha de produção.
– Custo disso? Irrisório, comparando com a vantagem de um treinamento rápido e exclusivo, à maneira de como gostaríamos de ter treinado todos os funcionários.

Conheço em Nova Serrana um pesponto que, embora não tendo seguido literalmente o acima recomendado, conseguiu formar um pesponto exemplar, que nada fica devendo em produtividade e qualidade aos pespontos há longo tempo estabelecidos.

Porque não tentar? O bom resultado está garantido.

Zdenek Pracuch
12/12/04