PALMILHA E SAÚDE

Os anúncios de palmilhas de város tipos diferentes, de materiais cada vez mais diversificados se multiplicam na imprensa especializada. Isto significa progresso em novas tecnologias e materiais que irá beneficiar o consumidor ou os benefícios  apregoados não passam de apelação propagandística?

Há benefícios incontestáveis no tocante ao conforto proporcionado pelos materiais que se amoldam à planta do pé e que amortecem a dureza dos pisos. Sem dúvida, ganhamos em conforto. Entretanto, o que muitas pessoas já verificaram, principalmente usando calçados fechados e, pior ainda, feitos de materiais sintéticos, estes se tornam verdadeiros microondas cozinhando o pé no próprio suor num dia de calor.

É o caso de palmilhas feitas de polímeros, revestidas de materiais têxteis, também com base nas fibras sintéticas. – Nos anos sessenta, quando foram introduzidas as primeiras palmilhas feitas a base de celulose com boa carga de resinas, digamos um papelão sofisticado, escrevi um artigo para a então revista Solado, criticando o uso deste material em detrimento do conforto e da saúde dos pés. Porque anterior a esta novidade somente usávamos para a confecção das palmilhas o couro de cabeças ou de barrigas, curtidos ao tanino.

Um grande fabricante de calçados na época, de Franca, me telefonou, dizendo que o novo material significava um avanço tecnológico porque, por exemplo, poderia ser cortado em camadas de dez folhas, ou seja, cinco pares por uma batida do balancim, enquanto o couro poderia ser cortado e tratado somente pé por pé. Para não entrar em polemica sugeri a ele, já que podia produzir calçado para ele mesmo, que fizesse um pé com a palmilha de couro e outro com o novo material e os experimentasse nos próprios pés.

Telefonou-me no mesmo dia a noite, dizendo que não fazia idéia de como mudava o conforto do pé para pior usando o material sintético. O pé com palmilha de couro se manteve seco e frio durante o dia ao passo, que o pé com palmilha sintética estava úmido e desconfortavelmente quente. O que era de se esperar.

Segundo o livro alemão “Ledertechnik” pelos estudos de Krause, Taniguchi e Kamigyama, cada centímetro quadrado da planta do pé possui 366 glândulas sudoríparas. Só a palma da mão supera esta contagem com 373 glândulas. A axila, vilão da sudorese tem tão somente 157 glândulas sudoríparas por cm². – Além do desconforto a eliminação do suor pelos pés ainda pode causar toda espécie de fungos, irritações, dermatites do tipo “pé de atleta” etc.. Por este motivo a absorção do suor eliminado pelos pés é tão importante para a saúde do pé.

Há modos de suavizar este problema, desde que a palmilha de polímeros seja revestida com uma grossa camada de têxtil orgânico, no nosso caso, devido ao custo seria uma lona de algodão. Uma lona grossa. Esteticamente pode não ser tão atraente como um tecido na base de polímeros, mas no conforto, absorvendo suor, não poderá haver comparação.

Como testamos a absorção? É tão simples que pode parecer ridículo. Basta aspergir algumas gotas de água sobre o material. Se a água for imediatamente absorvida, como se fosse um mata-borrão de saudosa memória, estará tudo em ordem. Mas, se a água formar bolinhas, pérolas transparentes e não entrar ou demorar a entrar, o material não é ideal para absorção. Há poucos dias discuti este tema com um fabricante de calçados infantis, que me mostrou todo orgulhoso uma palmilha bactericida de têxtil. E como está a absorção? – perguntei. Está ótima, foi a resposta. Tudo bem, mas porque não fazer o teste? E joguei com os dedos molhados umas gotas de água sobre a palmilha – e continuamos conversando. E a água simplesmente não entrou. Dava pena ver a cara dele desconsolada, porque comprou uma partida grande deste material, acreditando que estava acrescentando valor ao seu produto.

O que vale para o teste sobre o têxtil vale do mesmo modo para teste de couro. Tanto do couro de cabedal, como de peles para o forro do calçado ou a própria palmilha-calcanheira. Os curtumes estão acabando os couros, para melhor aparência com sprays de polímeros. O aspecto melhora sem dúvida, mas transforma o couro com propriedades naturais numa espécie de sintético, sem absorção e sem transpiração.

Neste momento a saúde, não só dos pés, é um assunto cada vez mais importante na vida das pessoas. A preocupação em manter os pés saudáveis, será uma boa motivação para a venda, desde que devidamente propagada.

Zdenek Pracuch
02/07/12