PRODUÇÃO “PER CAPITA” OU LUCRO?

A despeito de tudo o que já escrevi e que estou pregando durante os meus trabalhos, a cada momento sou questionado sobre qual é a produção razoável ou ideal, “per capita”, no pesponto, na montagem ou no acabamento. De nada adianta dizer que não há resposta para esta pergunta. Cada caso é um caso. Não existem duas fábricas iguais, com mão-de-obra igual, com equipamentos iguais e, muito menos, com gerenciamento (quando o há) igual.

É óbvio que cada industrial gostaria de aferir o desempenho da empresa dele com a dos concorrentes. Mas não é com o índice de produtividade “per capita” que mal serve para fazer comparações dentro da própria empresa que o empresário poderá tirar algumas conclusões válidas.

Podemos avaliar o desempenho da empresa dividindo o valor do lucro apurado pelo número de funcionários e, assim, saber quanto lucro “per capita” a nossa empresa consegue. Este valor pode ser interpretado de várias maneiras mas em primeiro lugar deverá servir de meta a ser superada nos próximos exercícios.

Nas organizações BATA (olha a BATA outra vez!) se considera uma unidade bem administrada, em qualquer um dos cinco continentes e dezenas de países, quando o lucro, antes dos impostos é igual ou superior ao montante de folha de pagamento anual com todas as contribuições sociais. Eis aqui uma idéia aplicável à cada país, à cada empresa mas, atenção, vale somente para a indústria de calçados. É numa indústria de mão-de-obra intensiva, onde este paradigma funciona. Não vai funcionar numa petroquímica, onde poucos funcionários criam lucros elevados em função do capital investido.

Para que um industrial de calçados possa usar esta ferramenta para avaliar a gestão dele, deve levar em consideração os resultados, de pelo menos dois exercícios. E, também, deve ter muito cuidado para incluir todas as operações. Quando digo todas as operações, quero dizer TODAS as operações, mesmo aquelas onde, as vezes, possa ter esquecido de emitir a nota fiscal.

Na indústria de calçados no mundo, onde não há interesse em divulgar os lucros atingidos, existe um parâmetro, na indústria de calçados de couro para homens. A indústria é considerada bem gerida, quando apresenta faturamento de USD 40.000 por funcionário, tratando se de calçado mais popular e de USD 60.000 quando se trata de calçado de maior grau de sofisticação.

O Banco Mundial e o FMI calculam o valor do Produto Interno Bruto dividido pela população economicamente ativa. Não sei os detalhes de como são colhidos os dados usados, mas o resultado nos leva a conclusões interessantes. O valor da produção anual do operário brasileiro em 2006 foi de algo acima de USD 14.000, tendo baixado de aproximadamente USD 1.000, dos USD 15.000 em 2005. Para uma apreciação mais visível basta dizer que o valor por operário nos Estados Unidos no ano de 2006 foi de USD 65.000.

O que é mais preocupante é, que na Ásia há um crescimento extraordinário de aumento do valor produzido por operário graças, principalmente, ao crescimento da indústria de transformação. Industriais brasileiros estão sentindo este crescimento na própria pele. Que o digam os industriais de móveis, de calçados, de confecções e têxteis. Brinquedos e armações para óculos já estão na UTI há muito tempo. Mas como exportador de matérias primas (entre elas o couro) e de alimentos, o Brasil vai muito bem, obrigado.

É importante o acompanhamento do desempenho de cada indústria, pelo menos desempenho da indústria própria com desempenhos dos anos anteriores. Mas é também interessante medir os próprios sucessos pelos métodos acima descritos, aplicados pelos concorrentes mundiais. Criaremos mais coragem para competir – será?

Zdenek Pracuch