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A PRODUTIVIDADE NO PESPONTO. Existe entre os empresários um mal estar indefinido com relação ao pesponto. A onda de terceirização foi uma expressão nítida desta vontade de passar o problema para frente, nem que fosse para pagar mais por isso. E como pagaram (e continuam pagando) aqueles que aderiram! Pagam mais em termos de custos, mas principalmente em qualidade e atrasos na produção. O pesponto é um departamento da fábrica com a mesma complexidade ou a simplicidade dos outros. O corte parece mais simples? Parece, mas descuidem da economia e verão onde irão parar! Montagem é mais fácil de supervisionar, mais visível? O que dizer então sobre calçado torto e solas caindo? Usando método cartesiano, dividindo um (aparente) grande problema em vários problemas menores e, matando um leão por dia, de repente o pesponto perde aquela feição assustadora. Modelagem: Ainda estou por encontrar um modelista que se preocupa com o desempenho do pesponto a ponto de facilitar as costuras, a sobreposição das peças, o encaixe fácil e lógico dos forros e de entretelas, deixar uma marcação visível e de fácil identificação para permitir costurar sem colar, etc.. O normal é produzir um modelo “bonitinho” e jogar a bomba no colo do encarregado do pesponto. Funcionárias(os): Respondendo ás perguntas de como foram selecionadas, como foram treinadas e como são supervisionadas, aparecerão respostas e com elas indicações de soluções. Cada uma destas perguntas pode ser desenvolvida num tema que nos mostrará o caminho de solução. O empresário comum espera que alguém outro treinará os funcionários para ele, não se preocupando com o fato, que estes funcionários trarão todos os vícios adquiridos em empresas, talvez, pior administradas. Planejamento de produção: O planejamento de produção, que de planejamento só tem o nome, mas é vazio de conteúdo e técnica, ignora solenemente as necessidades do pesponto. O equilíbrio e ritmo diário de produção, sem grandes oscilações, são o segredo do fluxo normal e contínuo na produção do pesponto. – No caso de grande número de variações de modelos, um “mix” apropriado dos modelos mais demorados com os modelos mais fáceis é a resposta. Quem deve dar esta resposta é a cronometragem. Cronoanálise: Infelizmente, o que vemos na indústria de calçados é uma ciência, mal aplicada, trazida da indústria metalúrgica, que leva o industrial de calçados a falsas conclusões. A cronoanálise, como ela é ensinada nos cursos de fim-de-semana, poderia servir no caso do pagamento por peça, se fossem observados todos os parâmetros, tais como fatores de ambiente (calor, umidade), de fadiga (tempo de manhã ou de tarde) ou experiência (tempo na função) para se chegar ás conclusões minimamente aceitáveis. Mas o giro dos modelos novos é tão acentuado, que quando estes estudos são concluidos, não servem para mais nada. A produção já mudou. O que fazer? Cronometragem de orientação: Simplificando para melhor entendimento: acompanhar um par, de máquina em máquina ou de mesa em mesa, cronometrar o tempo necessário para saber quantos minutos e segundos um modelo precisa para ser confeccionado. Multiplicar minutos do horário do trabalho pelo número de máquinas em operação, ou operações de mesa e temos tempo disponível na produção. Dividir este tempo pelo resultado de cronometragem e temos uma idéia bastante precisa da possível produção. Digo mais uma vez: simplificando! Porque até nesta simplificação temos certas regras e parâmetros a seguir. Por exemplo, as pessoas querem beber água ou visitar o banheiro. Estudo de processos: Este é um tópico que pode resolver, e muito, o problema de baixa produtividade dos pespontos em geral. O quanto poderia ser economizado evitando a colagem no pesponto! Mas sobre isso já escrevi tanto que corro o risco de ser tachado de ser vítima de uma obsessão. – Vivi um momento de grande satisfação pessoal, quando o industrial Miguel Heitor Betarello me disse, que tudo o que eu pregava neste sentido, nunca conseguiu realizar em Franca, devido aos preconceitos. Mas na fábrica deles no Ceará, está funcionando com perfeição – o pesponto desconhece a cola e as costureiras trabalham em pé. - Obrigado, Miguel! Equipamentos adequados: Porque os nossos pespontos só têm máquinas de coluna? Máquinas caras, de manutenção dispendiosa e necessitando de operárias(os) muito mais treinadas, quando no resto do mundo e, principalmente, na China mais da metade de todas as máquinas são máquinas planas, de mesa? Porque os nossos pespontos estão penosamente costurando arabescos, que uma máquina programada, de bordar, faz em questão de segundos, e melhor? Isto, também, é parte negligenciada no estudo de processos de produção! Custos: Todos os pontos abordados acima têm uma influência direta e importante sobre a formação de custo. A própria produtividade é um fator importantíssimo na formação dos custos e do preço de venda. Na batalha de vida e de morte que já foi desencadeada e está cada vez mais séria, depois da qualidade, o custo ou melhor as economias e desperdícios evitados, serão as armas, embora frágeis, na luta pela sobrevivência. Como disse um americano analisando a situação da indústria automobilística americana, que se encontra num atoleiro profundo: Você não pode esperar estar aqui AMANHÃ, se HOJE está trabalhando com métodos de ONTEM! Acreditem, há muito que fazer, para ter alguma esperança, de estar aqui amanhã. Zdenek Pracuch |
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