PIRATARIA OU ROUBO?
Frequentemente ouço dos empresários uma queixa sobre as cópias de modelos ou até de construções originais, introduzidas no mercado por eles e copiadas em questão de dias por concorrentes diretos. Posso até aceitar de modo bastante condescendente, que alguém se “inspira” na criação alheia, mas vejo e tenho conhecimento de casos, onde a cópia até incorporou algumas falhas técnicas, que não foram corrigidas nos modelos originais.
No mundo da moda é extremamente difícil definir o que é original ou cópia, geralmente bem feita, ou o que serviu, como disse acima de “inspiração” para o desenhista carente de imaginação ou de idéias. Antigamente era mais difícil chegar aos modelos originais que poderiam servir de cópia. Era necessário o lançador colocar o produto no mercado, para ser possível comprar um, analisar e copiar.
Hoje com as páginas na Internet, o copiador de má fé se serve dos melhores desenhistas do mundo, sem nenhum escrúpulo. Mas, de qualquer modo, a prática de roubar as idéias alheias não é nada de novo e é prática comum até entre as marcas de prestígio nacional, com sede em Franca ou em Nova Serrana, onde assisti a estes casos pessoalmente.
Em Franca a cópia quase que usava o mesmo tamanho de pontos do pesponto, copiada que era com a máxima perfeição. Em Nova Serrana assisti o choque de um empresário, quando viu o modelo dele em um anúncio na revista RISA, tal e qual, até com a mesma combinação de cores. Como a investigação posterior provou, no caso de Nova Serrana era ainda mais delicado, porque o modelo recém lançado, foi levado pelo representante da mesma empresa à uma fábrica pequena, que poderia fazer o modelo mais barato, com sonegação e tudo mais, do que a fábrica lançadora.
Sob o ponto de vista moral copiar, nestes casos, é sinônimo de roubar. Todo o desenvolvimento, todas as correções da concepção até se chegar ao modelo definitivo, não eram necessárias ao ladrão da idéia. Já copia modelo pronto, realizado e o pior no caso é, já até testado pela receptividade do mercado. Não arrisca nada e ganha em tudo. – Ética? Moral? Honestidade? Meras palavras que não fazem muito sentido. Se até nos Dez Mandamentos que nos foram trazidos por Moisés constava “Não roubarás!” podemos deduzir que, esta falha de caráter é inerente ao gênero humano. Mas isso não implica na aceitação.
Outro tipo de roubo é a sonegação. A informalidade não é condição da situação social. E sob ponto de vista moral é mais grave. No caso de alguém se apropriar de criação alheia está roubando, sim roubando, uma determinada pessoa ou empresa. Mas no caso de sonegação, o indivíduo sonegador rouba toda a coletividade. Não vou me deixar envolver em discussão de que o governo aplica mal o dinheiro arrecadado, nem que há corrupção ou desvio deste dinheiro. Concordo que tudo isso existe, mas isto não deve servir de desculpa para eu me beneficiar agindo contra a lei.
Citei os Dez Mandamentos. Não custa nada citar o Nazareno que disse “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Também não vamos discutir o que César faz com os tributos, nem se Deus é a igreja de qualquer credo. Caridade pode ser sinônimo de Deus, neste caso.
Os dois casos, ou sejam, cópia ou pirataria e sonegação, são ilegais e imorais. E se a justiça dos homens é falha e demorada, confiemos na sabedoria popular – tudo se paga, nesta vida ou na outra.
Atire a primeira pedra ... Eu mesmo passei por uma saia justa, quando trabalhava como comprador da Smerling Imports de Nova Yorque. Fornecíamos ao Smerling um modelo feito de tressê, na Calçados Donadelli em Franca, muito bem aceito que, de repente, parou de ser pedido. Pouco tempo depois visitei show room da Smerling no Empire State Building em Nova Yorque e vi o nosso modelo, igualzinho, feito num couro de tonalidade um pouquinho diferente. Perguntei ao Allan Goldstein, o comprador, de onde provem este calçado? “De Taiwan” foi a resposta. Quando reclamei que o modelo era nosso, Allan retrucou simplesmente, porque eu não reclamava quando ele trazia para nos modelos da Itália, da Inglaterra e do resto do mundo? E mais: nos pedíamos dezoito dólares e os chineses o faziam por doze!
Não é a toa que a ética esta sendo agora ensinada nas faculdades de administração e de comércio nas universidades norte-americanas. O mundo terá que re-aprender que existem certos valores que não podem ser desprezados impunemente. Vai demorar, mas estamos nos primeiros estágios de vida civilizada e temos a eternidade pela frente. E, quem sabe, até os copiadores e ladrões de idéias e de impostos irão descobrir, que possuem algo como uma consciência.
Zdenek Pracuch