SERÁ QUE O PLANEJAMENTO É MESMO NECESSÁRIO?

Esta semana me defrontei em três empresas diferentes com os problemas criados pelo planejamento deficiente ou melhor, por falta de planejamento.

Já escrevi alguns artigos sobre este problema, mas quase todas as empresas que cresceram de micro empresas para empresas médias e/ou grandes, continuam o seu planejamento de produção como nos tempos em que os pedidos eram escassos e eram processados tão logo apareciam. Ou seja, não planejam, mas simplesmente executam pedidos.

O que tem a ver a tecnologia de produção de calçados com o planejamento de produção? Tem tudo a ver. Tecnologia tem certos parâmetros que não devem ser desobedecidos. Mas como obedecê-los, se volta e meia vem ordem de cima : Isto tem que seguir na frente! Isto deve sair hoje à tarde. E neste atropelo, principalmente a qualidade é sacrificada.

Não é fácil planejar. E é impossível de planejar sem uma infraestrutura montada para tanto. Como posso planejar uma produção fluída, sem atropelos se nem ao menos sei, qual é capacidade de produção do meu pesponto (ou das bancas) com base no tempo gasto para costurar um par de determinado modelo?

O método – mande para baixo, que eles se viram! – funciona, mas a que custo! Ao custo da qualidade péssima, ao custo de desentendimentos e confusões gratuitas, atrasos na entrega e na produção, horas extras e trabalho aos sábados e feriados e este custo tem um nome só : prejuízos.

Os donos ou diretores da fábrica facilitam o "planejamento” para eles. Simplesmente mandam para produção um pacote com 6 ou 8.000 pares para serem produzidos na semana, sem dizer qual o pedido que deve ser despachado na segunda-feira ou na sexta-feira e depois cobram aos gritos os atrasos. Soltam o “planejamento” deles baseados na promessa do fornecedor que o material vai seguir hoje (sem falta!) e, naturalmente, não vem, planejam modelos que superam duas vezes a capacidade de alta freqüência e depois chamam um técnico para se queixar que a produção não sai. Deveriam chamar um padre e agradecer o milagre se a produção saísse.

O bom planejamento é tão importante, como um modelo de tênis perfeito e tecnicamente bem acabado ou o cálculo de consumo e seu acompanhamento rigoroso. Faz parte do processo produtivo e custa muito caro, quando mal feito, em termos de produtividade, de qualidade e de pontualidade nas entregas. Estes três pontos significam a diferença entre uma operação com lucro ou com prejuízo.

Infelizmente, são poucos os programadores capazes de nos fornecer um programa de planejamento que respeitaria os vetores, ou seja os gargalos que prejudicam o andamento fluente da produção. Vamos chegar lá e esperemos que não demore. Mas até lá, pelo menos, não programem a produção sobre materiais que ainda estão nas mãos dos fornecedores ou viajando pelos confins do Brasil. Já será de grande ajuda.

No momento estou implantando o planejamento à altura da importância das indústrias em três empresas na cidade de Nova Serrana (Minas Gerais). Tenho certeza que pelo menos nestas três indústrias vou diminuir o stress dos gerentes de produção e fazer a produção fluir sem atropelos.

Zdenek Pracuch