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NOSSA INDÚSTRIA ESTÁ PREPARADA ?
Continuam desperdícios de tudo e em tudo. Falta a aplicação de métodos modernos na administração de produção e na administração propriamente dita. – Mas vamos por partes: O que falta na administração de produção? Em primeiro lugar um quadro de chefias instruídas e motivadas. Quem são hoje os nossos chefes no chão da fábrica? A metade é constituída de velhos chefes que se criaram nas décadas de sessenta e setenta e continuam chefiar as fábricas com mesmos métodos e tecnologias de trinta ou quarenta anos atrás. Isto hoje não é mais admissível e sustentável. Os homens, embora de muito boa vontade, estacionaram no tempo e no espaço. Por outro lado vemos jovens, ambiciosos, com uma imensa vontade de conquistar o seu lugar ao sol, mas sem nenhum preparo técnico nem psicológico para a complexa tarefa de lidar com tecnologia e mercado cada vez mais exigentes e ao mesmo tempo lidar com os operários, cada vez mais conscientes do valor do ser humano. Despreparo técnico? Um episódio vai ilustrar a precariedade do ensino dos futuros comandantes da indústria. A pedido de um amigo numa importante indústria local, fizemos um giro pela fábrica, onde me pediram para mostrar tudo o que a meu ver representava atraso tecnológico. Tarefa fácil. O oposto seria mais difícil. Num determinado momento chegamos a uma parte da esteira onde SETE homens estavam ocupados em desmanchar o que uma máquina automática de montar o bico do calçado fazia, corrigindo a modo deles o trabalho da máquina. – Apontei o disparate deste procedimento e vi que o colega do meu amigo se sentia desconfortável com a minha observação. Era filho de um médico, que sentia vocação industrial e quis se aperfeiçoar. Perguntei a ele o que queria dizer e a resposta me deixou sem argumento: “Mas é assim que nos ensinaram no SENAI!” Dizer o quê? Que os modelistas não sabem trabalhar? Que no resto do mundo este trabalho é feito hoje com duas máquinas e ninguém mais trabalha com tenalha na mão? É assim que vamos concorrer com os chineses? E o que dizer dos nossos pespontos, onde existem três coladeiras de peças para duas máquinas de costura? Quem irá pagar por este serviço inútil, quando no resto do mundo não usam colas no pesponto? Visitem a China e verão! Mas como posso exigir isso dos nossos chefes que nunca viram uma fábrica moderna, nem receberam instrução alguma a não ser perpetuação dos velhos maus hábitos. E, falando em instrução. Em novembro fui dar aula do cálculo de consumo numa fábrica que quer se modernizar. Perguntei á moça, encarregada do cálculo de consumo até então, qual o método que estava usando. Um pouco convencida me mostrou o método dizendo, que fez curso e tem diploma do SENAI. Não acreditei no que vi. Debaixo da tampa de vidro sobre a mesa dela tinha um papel cheio de quadradinhos de 3 x 3 cm e me disse, que amontoa as peças do calçado sobre o gráfico, conta os ocupados e disso deduz a quantidade de consumo e chamou isso de método métrico decimal (seja lá o que isso quer dizer). Nada a objetar sobre este método, porque serve perfeitamente para o sapateiro da esquina que produz um par. Mas uma indústria que pode produzir até 50.000 pares de um modelo ou mais, não se pode dar o luxo de desperdiçar de 15 a 20 % do material entregue aos cortadores para se divertirem e ainda darem “lucro”! – Como vamos competir no terceiro milênio, com este tipo de ensino aos nossos jovens? Não me venham dizer, que tem um sistema CAD/CAM, como muitos apregoam felizes. Primeiro, vocês têm sistema CAD. Não existe ainda nenhuma máquina com comando numérico na indústria de calçados. Por isso esqueçam o CAM. Segundo, como provei fartamente, sistema CAD calcula sempre á mais entre 4,5% a 7%. Dá para pensar: sete metros quadrados de prejuízo oculto em cada cem metros? Únicas máquinas com comando numérico operando em Franca existem na empresa do Delmo Poppi, fazendo outras máquinas. Ou seja temos CAM em Franca, mas não na indústria de calçados. Quanto ás deficiências na administração da produção, acima apontadas, que existem em praticamente todas as indústrias locais, no tocante á administração geral a situação não é muito melhor. Existe excessiva burocratização. A informática que deveria aliviar o trabalho, parece, que o complicou ainda mais e criou postos de trabalho antes não existentes. Pelo menos, como fonte de justificativas, é um meio excelente: o sistema falhou, o sistema está fora do ar, o nosso sistema não aceita ... etc.. Como exemplo cito sempre uma fábrica na Finlândia onde comprei máquinas usadas para outra fábrica na Rússia que a nossa trading da Suécia montou. A fábrica se chama Janita Oy, na cidade de Seinäjoki, na Finlândia. Na época em que a visitava produzia 3.000 pares de botas femininas de altíssima qualidade, sendo toda a produção exportada para USA, Inglaterra, Alemanha e Rússia. A empresa tinha QUATRO funcionárias administrativas e um modelista com um contrato sempre para um semestre. A informática, afinal estávamos na Finlândia, era levada ao extremo e a empresa funcionando, parecia em férias. Reconheço, que a legislação fiscal e trabalhista na Finlândia é bem diferente da nossa, mas isso não justifica os nossos escritórios atulhados de gente. Vamos pensar um pouco sobre isso? Sabendo que só pensar pouco resolve. O que é necessário é ação! Voltando ao começo: se vamos depender do governo para nos proteger da invasão chinesa, estaremos bem mal servidos. Melhor será, acordarmos para a realidade e começarmos a agir enquanto temos algum espaço de manobra. |
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