COMO SE PERDE TEMPO PRODUTIVO

Com a crescente conscientização dos empresários sobre o enxugamento e a racionalização da produção, vem à tona uma velha controvérsia: esteiras transportadoras versus células ou grupos.

O interessante nesta controvérsia é, que ela é tipicamente brasileira e mais ainda: parece a reedição da Guerra da Secessão americana – Norte contra o Sul.

Grupos foram inventados no Sul, talvez, na ânsia da re-engenharia de triste memória. Não foram pacificamente aceitos. Lembro-me do comentário do diretor industrial da Czarina de São Leopoldo que desmontou as células depois de seis meses em insistir para obter resultados: “Muita conversa e pouca produção!

Os técnicos gaúchos importados para o Sudeste e Nordeste, com seu verbo fácil e convincente, convenceram os empresários sobre a novidade e, se os gaúchos fazem, deve ser bom! Uma grande indústria de Franca, foi vítima desta filosofia, desmontou pespontos bem organizados, funcionando muito bem e embarcou na aventura de células. Não que fosse a causa, mas contribuiu e muito para a derrocada da mesma. E o dono da façanha, quando viu o resultado, pediu a conta.

É interessante que os fanáticos da crono-análise ainda não despertaram para o fato das perdas de tempo ocasionadas pela arrumação de 15 ou 20 pares numa caixa, pela pespontadeira no começo e no fim da tarefa.

Não é muito melhor quando o transportador trouxer o serviço para ela, de par em par, ou de dois em dois, sem ela levantar do lugar e poder pegar o serviço do transportador na altura da mesa da máquina? – Onde estão nesta hora os estudiosos de tempos e movimentos? Ou qual é o sentido de um trabalhador imobilizar uma carreta com 30 pares, quando opera um pé de cada vez?

Chamei a atenção para este fato, uma vez, ao dono de uma fábrica na Polônia. Por que ao lado de uma enxurrada de carretas, estava parada uma esteira novinha em folha? Respondeu-me: "o encarregado da produção não se adaptou a ela.

O que não surpreende. Na Companhia dos Pés no Rio, na tarde em que começamos girar a esteira, o encarregado, sr. Luiz, descobriu que tinha que ir ao cartório. Mas o ajudante dele colaborou com sucesso e a esteira depois de duas horas parecia que fazia anos que estava lá! – Os veteranos da Samello, devem estar lembrados da primeira esteira montada em Franca. O chefe de produção na época era um grande sapateiro apelidado de João Caxabá. E o senhor João olhava para a esteira e dizia: Se isto aqui der certo, vou vender bilhetes de loteria na Praça Barão. Deu certo e o senhor João, esqueceu dos bilhetes, depois dava aula sobre esteira aos visitantes deslumbrados.

Este é o maior problema. O medo do desconhecido, o medo do fracasso, o receio de demonstrar o despreparo e pouca capacidade. – Quanto estes fatores psicológicos custam às empresas em atraso tecnológico, em perdas de produtividade e em conseqüentes perdas de mercado, dificilmente poderemos avaliar. Mas o bom senso nos diz que são perdas substanciais.

Os prejuízos causados pela logística interna falha e pelos tempos perdidos que deveriam ser usados para acrescentar valor aos produtos são gastos em tarefas inúteis carregando as coisas daqui para lá e de lá para cá. Gerando custos e não acrescentado nada ao valor do produto. O que é mais uma causa do porque as fábricas estão perdendo a competitividade.

Ás esteiras transportadoras, quando bem organizadas e com lay-out lógico, fica reservado um importante papel no aumento de produtividade e na eliminação de tempos mortos, gastos gratuitamente, em transportar a mercadoria entre os postos individuais de trabalho, isto pode ser feito automaticamente, sem interferência alguma dos operários que ficam livres para tão somente executar o trabalho produtivo.

Não será nada fácil cuidar do aumento da produtividade e ao mesmo tempo fazer a psicoterapia das fobias do desconhecido. Com a agravante de que hoje não há mais tempo a perder.

Zdenek Pracuch