RADIOGRAFIA DE EMPRESAS.
No último número da revista Management, publicação especializada para gestão empresarial, há um artigo sobre a conveniência da radiografia para as empresas. Pela minha experiência pessoal concordo plenamente sobre a necessidade de se fazer uma radiografia da empresa, da sua atuação, dos seus procedimentos e rotinas, desde a pesquisa do mercado até o acompanhamento pós--venda.
As primeiras radiografias que fiz na década de noventa, foram a pedido de uma Trading Company sueca para a qual trabalhei durante cinco anos. A Trading recebeu proposta para gerir uma fábrica de calçados para criança na Estônia e outra para uma de calçados para adultos na Rússia. Antes de aceitar o negócio, fui mandado para “radiografar” as empresas quanto a viabilidade da capacidade de produção, possibilidade de modernização e de atendimento do mercado ocidental.
A fábrica na Estônia recebeu parecer favorável. Mas a russa, na cidade de Smolensk não era viável. No lugar dela, com outro parceiro a Trading montou uma fábrica nova, sob a minha orientação e direção no início de produção.
Quando voltei para o Brasil, usei a tecnologia de radiografia em mais de oitenta empresas, na sua maioria em Nova Serrana e Franca e, até hoje, recebo solicitações de analisar a vida das empresas, de vários lugares diferentes, em face dos problemas que estão se avolumando para a indústria de calçados.
O que representa uma radiografia para a empresa?
O empresário ou dono da empresa, geralmente, tem poucas possibilidades de acompanhar com o rigor necessário tudo o que acontece no setor, por estar ocupado demais com os problemas do seu dia-a-dia. Mas, a evolução tanto do mercado, como de métodos e de tecnologia não para. A cada dia surgem novas técnicas, novos conhecimentos, em todas as partes do mundo. Como acompanha-las?
Outro perigo é a acomodação. O homem sente receio do desconhecido e recebe as mudanças com grande desconfiança, até como uma espécie de ameaça. De fato, as mudanças representam uma ameaça ao confortável bem estar numa situação conhecida e sob domínio, com ajuda de velhos hábitos e rotinas. Mas num mundo de mudanças rápidas e constantes, a acomodação representa perigo mortal.
Aquilo o que eram verdades indiscutíveis, hoje se tornam obsoletas, em função de novidades, novos hábitos e costumes, novas tecnologias e modos de viver. Quanto tempo faz que os computadores invadiram nossas vidas profissionais e particulares? Quanto tempo faz que os celulares entraram em nosso cotidiano?
Do mesmo modo os hábitos e usos comerciais e industriais mudaram, e como!
Onde estão as Feiras que nos abasteciam de pedidos para meses de produção?
Onde estão os prazos de entrega de 60 dias que eram aceitos tranqüilamente?
Onde está o tempo, que um representante trabalhava com uma coleção por seis meses? Como tudo isso mudou a vida nas indústrias!
O difícil nisto tudo é, que o empresário, que fica preso dentro da empresa, nem se dá conta destas mudanças. E, quando finalmente se dá, pode ser que já perdeu tempo irrecuperável contra os seus competidores.
Quantas novidades temos na gestão de empresas: novos sistemas, novos metodos de gestão, gestões mais eficientes de compras, de planejamento, de administração de materiais, de planejamento de vendas, de formação de custos e de preço de venda etc. etc..
Quem pode analisar uma empresa nestes campos, em comparação com as outras empresas, a não ser alguém que pode traçar os parâmetros de desempenho após uma análise isenta e objetiva do que acontece na empresa?
Nisto está a chave de uma radiografia da empresa : Analisar o estado atual, comparar com o que os concorrentes fazem e sugerir as medidas de atualização ou de aperfeiçoamento.
O artigo da revista Management chega a mesma conclusão: quem vem de fora tem muito mais possibilidade de fazer uma análise objetiva, do que aquele que as vezes até faz parte do problema. Uma radiografia objetiva pode, ás vezes, desagradar àquele que a encomendou, mas é o melhor remédio para se tomar antes que seja tarde demais e ser a vítima de própria complacência.
Zdenek Pracuch