O TÚNEL DE RESFRIAMENTO

Em quase todas as fábricas que visito estou encontrando a máquina considerada a última palavra em tecnologia, o túnel de resfriamento. Finjo não conhecer a máquina e pergunto ao operador, qual é a função da máquina. As respostas são as mais variáveis desde reforçar a colagem até estabilizar os calçados na forma.

Vamos olhar de perto o que acontece com o resfriamento depois da colagem. Mas antes é bom saber alguma coisa sobre as leis da física e química, tão imutáveis como a lei da gravidade ou o fenômeno da fotossíntese. No livro clássico sobre a colagem Angewandte Klebtechnik dos alemães G. Fauner e W. Endlich, ficamos sabendo, que as moléculas do substrato da cola só aderem uma na outra em estado de plasticidade acima da temperatura de 60º C, ficam solidificando-se durante o esfriamento natural e completam a adesão em 48 – 72 horas após.

Até aí tudo bem, na suposição de que a temperatura entre cabedal e a sola esteve acima de 60º C depois da sola apontada e submetida à pressão suficientemente longa para fixar as moléculas no lugar. Neste ponto começa o esfriamento natural. É óbvio, que ainda sobre a forma.

Mas o que acontece se colocamos neste ponto o calçado com a forma dentro do túnel de resfriamento? A mesma coisa que acontece com um frango no freezer. Congela as moléculas. E o que acontece com frango retirado do freezer? Descongela. Assim também as moléculas da cola descongelam, mas neste caso estão descongelando já sem a forma, livres de pressão e a adesão não se completa de maneira necessária.

O procedimento certo seria colocar o calçado depois de prensado sobre uma carreta, encher a carreta e enquanto está sendo enchida a carreta seguinte, as formas são sacadas da primeira carreta. Assim estamos dando tempo, para um esfriamento natural com a forma pressionando. Caso sintamos que o calçado não está totalmente frio, não custa nada colocar mais uma carreta no circuito. A mão-de-obra permanece a mesma. Única desvantagem é o lugar ocupado pelas carretas. Mas a colagem correrá 100 %, natural e se as outras condições tecnológicas também forem respeitadas, teremos aderência perfeita.

O que surpreende, é que ninguém, repito ninguém fez um teste destrutivo, o único teste conclusivo com o calçado colado da maneira convencional e com o calçado colado dentro da tecnologia oferecida pela nova máquina, que de prático só tem o consumo maior de energia.

Quanto ao choque térmico para estabilizar o calçado sintético, fica sem comentário de tão ridícula que é a idéia. E quando se tratar de calçado de couro, o único choque térmico válido é com vapor aquecido e uma boa estufa de secagem de ar quente logo a seguir. O couro também obedece às leis da física.

Como faz falta um bom ensino técnico!


Zdenek Pracuch