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SALVAGUARDAS ? AGORA ? Sempre ouvia dizer que o brasileiro coloca tranca depois da porta arrombada. Agora acredito. A nossa porta não foi arrombada. Foi escandalosamente escancarada aos camaradas chineses pelos esquerdinhas do Itamarati, que pagaram para ver. Infelizmente, quem está pagando a conta somos nós. O dano já foi feito e pouco adianta agora discutir a imposição de salvaguardas. O presidente Lula (ou melhor a sua infeliz assessoria de política externa) resistia á idéia de salvaguardas por receio de afetar a “parceria estratégica” firmada com os chineses (Valor Econômico de 23.5.05). Parece que o ministro Furlan venceu e as salvaguardas estão sendo discutidas. Mas, não há motivo para alegria. Para começar, "as salvaguardas não serão automáticas, como apertar um botão; é preciso comprovar o prejuízo” alerta o secretário-executivo da Camex, Mário Mugnaini. A medida atende á crescente pressão privada, mas não resultará, de imediato, em nenhum efeito prático. As investigações, necessárias para documentar a imposição de salvaguardas, segundo secretário do Comércio Exterior Ivan Ramalho, levarão de dois a oito meses. Colher as provas de que os produtos chineses estão sendo subsidiados – quanto tempo levarão? Para depois serem discutidas e julgadas na OMC! Os otimistas estimam as discussões de dois a cinco anos. Temos visto as negociações para acabar com os subsídios europeus para o açúcar que levaram o tempo de uma geração. E os chineses, que já fincaram o pé na porta estão ameaçando com retaliações comerciais contra o Brasil, caso as salvaguardas sejam postas em prática. E agora José? Toda aquela bazófia de exportações superavitárias se baseia principalmente nos produtos agrícolas. Os chineses sabem disso, já fizeram uma vez cara feia contra a soja brasileira e deu ótimo resultado para eles. Consertaram as compras mal feitas por eles e o Brasil ficou quietinho. Será que desta vez será diferente? Há motivos para se duvidar. Na geopolítica de grandes interesses, o que representam alguns milhares de empregos de umas indústriazinhas como a de calçados, de confecções ou de brinquedos? Se os europeus ou norte-americanos se conformaram e fecharam estas indústrias por serem pouco competitivas, porque o Brasil não poderia seguir o mesmo exemplo? Agora vem mais fato complicador: a concorrência ao calçado brasileiro pelo calçado chinês na Argentina. Os empresários brasileiros de calçados exigem dos argentinos uma cláusula de proteção contra o calçado chinês, sem a qual não aceitam um acordo para limitar as exportações para este país. O ambiente não é dos mais favoráveis, conforme a declaração do presidente da Câmara da Indústria do Calçado Argentino, Alberto Sellaro : “O Brasil quer sempre mais, mais e mais. Agora acham que a Argentina é espaço adquirido? Os brasileiros não conseguem controlar a entrada de produtos chineses em seu território, e agora querem controlar nosso mercado.” A novela se complica cada vez mais. O presidente Lula está devendo uma explicação, pelo menos aos funcionários das empresas calçadistas brasileiras que estão perdendo seus empregos, sobre o que representa a tal “parceria estratégica” e que tipo de parceiro é este que foi buscar para nos asfixiar. Enquanto vamos assistir aos pedidos escasseando, vamos esperar pelas tais salvaguardas. Quem sabe, ainda chegarão em tempo, pelo menos para algumas empresas mais resistentes Zdenek Pracuch |
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