E O SEGUNDO SEMESTRE ?
A cada momento estou sendo interpelado sobre o que acho do momento econômico e do desenvolvimento da situação tanto na indústria como no mercado de calçados. Repito sempre, que não possuo bola de cristal, mas que temos muitos elementos na base dos quais podemos antecipar, com alguma precisão, o que temos pela frente.
Não me refiro, nem levo em conta os pronunciamentos oficiais, como o otimismo sem nenhuma base real do Ministro da Fazenda, que desesperadamente tenta levantar o astral do empresariado. O tal Novo Plano de incentivos que deve dar uma injeção de adrenalina no corpo amorfo da indústria nacional corre o risco de virar outro PAC, desta vez número 2 com os mesmos resultados pífios.
Vale a pena citar o Fernando Henrique Cardoso e sua análise da situação: “Embora, esteja engrossando o número dos obcecados com o mensalão, não posso esconder certa perplexidade diante da despreocupação com que recebemos as notícias da crise internacional, como se, de fato, a teoria da marolinha tivesse substituído o bom senso na economia. Não dá para ignorar que com toda a inundação de dólares a baixo custo feita pela Federal Reserve a economia dos Estados Unidos não reagiu. Na Europa por mais que seu Banco Central se diga disposto a cobrir qualquer parada dos especuladores, os mecanismos para tornar efetiva a gabolice estão longe de vista. Resultado: desemprego e mal-estar crescente. A própria China, bastião da grandeza capitalista mundial, parece mergulhar em taxas decrescentes de crescimento e, mais ainda, para sustentar a maré dos preços elevados das matérias primas, principalmente minerais.”
Um dos economistas mais lúcidos e realistas do Brasil, José Roberto Mendonça de Barros concorda plenamente com FHC: “2012 está perdido. O que será de 2013? Os investimentos se reduziram em todas as frentes. Os projetos governamentais não andam, Petrobrás deu uma saudável freada de arrumação. A construção civil ainda luta para tirar o atraso na entrega de apartamentos vendidos em 2009, 2010 e 2011. Segundo a Secovi novos lançamentos foram bastante contidos, a queda foi de quase 40 % em maio. O consumidor está muito cauteloso, mais preocupado com a redução de seus compromissos e eventuais atrasos, do que em assumir novas dívidas. Os dados do comércio mostram uma migração para a compra de produtos mais baratos, cujos setores vendem bem, mas com uma nítida desaceleração. – Então o que pode acontecer em 2013? A visão oficial é que cresceremos 4,5 % ou até mais. Minha própria percepção para o ano é mais cautelosa, pelas seguintes razões:
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A situação da Europa certamente continuará muito difícil.
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Nos EUA a recuperação perde gás e se aproxima o momento de um corte fiscal de magnitude desconhecida.
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O choque agrícola é de grande magnitude e dependendo da seca nos EUA pode ser uma catástrofe na produção de grãos. Haverá uma pressão inflacionária em várias regiões de globo.
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No Brasil a volta do consumidor ao mercado será de modo cauteloso. O mercado de trabalho vai arrefecer em alguma medida.
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A construção civil residencial vai se recuperar de forma lenta.
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O front inflacionário vai ficar mais apertado. Não é difícil que o custo alimentação no IPCA chegue no ano completo a uma alta de 10 % e o IGP-M bem acima de 7 %.
Em conclusão, parece-me razoável em pensar em 3 % ou pouco mais para o ano 2013.”
E para encerrar a apresentação das opiniões das pessoas mais do que autorizadas a emití-las vamos citar a opinião de um dos mais ouvidos economistas e analistas mundiais, Nouriel Roubini que, na sua análise global, citou nominalmente o Brasil: ”O Brasil pode desapontar em muitos aspectos nos próximos anos, a não ser que promova importantes reformas estruturais.”
Mr. Roubini – reformas estruturais? Nos oito anos do governo Lula não se mexeu em nada que poderia irritar os sindicalistas ou ideólogos de esquerda. Governo Dilma até agora não mostrou para que veio, ou seja, a velha política de, vamos deixar como está para ver como fica!
Bem, isso não serve nem de consolo nem de orientação para o nosso sacrificado empresário. O que fazer, para sobrevier, ou sair desta borrasca com menores danos possíveis? Podemos indicar algumas medidas para chegar aos 2013 e mais ainda a 2014 em boas condições de sobrevivência. Parafraseando o ex- “nunca antes neste País” foi tão importante elaborar uma estratégia de ação que vai incorporar as mudanças que o novo milênio nos impôs. Quais são elas?
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Um plano bem definido de produção sob aspectos quantitativos e qualitativos.
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Lançamentos de novos produtos só, após uma intensa pesquisa de mercado, adotando as tecnologias mais atualizadas em produtos desenvolvidos com perfeição sob ponto de vista econômico e de processamento, sempre procurando nichos mal atendidos.
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Lançamentos programados no decorrer do ano (até semanais) e não só duas vezes para as Feiras, que hoje não se justificam sob o aspecto de vendas.
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Controle rígido de custos, de despesas e de compras.
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Acompanhamento semanal de resultados econômicos (lucro ou prejuízo) e do comportamento do capital de giro.
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Métodos de comercialização correspondentes às necessidades do comércio do terceiro milênio. Visitas freqüentes, reposição dos estoques expressa e um serviço de atendimento modelar.
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Política de valorização do elemento humano na indústria através de assistência, treinamentos e promoções.
Concordo e reconheço que não é um programa fácil de executar, mas quanto mais vai demorar a implantação, tanto mais precário será o resultado. A luta, hoje, é para sobreviver.
Zdenek Pracuch
20/08/12