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SINAL AMARELO. O Sinal amarelo acendeu. O vermelho seguirá em breve. Não há nenhum motivo para a euforia oficial sobre a visita do presidente chinês Hu Jintao. O Brasil cedeu em tudo e não adianta tapar sol com a peneira. O estrago foi feito: o reconhecimento da China como economia de mercado, quando se sabe que é uma das economias mais estatizadas do mundo, vai custar caro ao Brasil. O que Brasil recebeu em troca? “Promessa de apoio” para ganhar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU? Muito pouco pelo muito que cedeu. Para fazer o quê no Conselho de Segurança? Para segurar as pontas caso as nações irmãs Cuba e Venezuela precisassem de padrinhos? O Brasil já ganhou uma saia justa com Haiti e não apreendeu? O reconhecimento da China como economia do mercado, para quem não sabe o que isso significa, podemos dizer, que escancaramos a porta ás importações chinesas. As indústrias de calçados, têxtil, eletrônica, brinquedos e muitas outras vão sentir o que isso significa. A China não tem preocupação: vai comprar frangos, carne bovina, soja, produtos agrícolas, enquanto Brasil tiver preços competitivos. E só neste caso. Já esqueceram o espetáculo com soja onde acharam uns grãos transgênicos e cancelaram encomendas bilionárias? Porque compraram na alta e depois cotação baixou sensivelmente. Aliás, alguém sabe do desfecho deste caso? O Senhor ministro Furlan nas declarações feitas ao jornal O Estado de São Paulo, no dia 14.11.04 declarou que garante que a indústria não terá perdas, quando a FIESP deu o alerta. Nas palavras do ministro “o governo estará atento e adotará medidas necessárias para evitar que a indústria do País seja prejudicada.” Não dá para acreditar nisso. É só a China ameaçar cancelar a compra de dez aviões da Embraer ou deixar o Brasil e sozinha brincar com satélites e fica dito por não dito. Cabe a pergunta: porque um velho sapateiro está tão preocupado com o reconhecimento da China como economia do mercado? E porque isto trará uma enorme dor de cabeça para a indústria de calçados? Até agora lutamos contra chineses na exportação e estamos perdendo feio. Os chineses começaram exportar para Estados Unidos vinte anos depois do Brasil e hoje exportam para lá dez vezes mais! Um bilhão e seiscentos milhões de pares em 2003. O Brasil mal e mal consegue estabilizar o volume exportado nos últimos cinco anos. E, com o portão aberto, podemos esperar a mesma invasão chinesa aqui. A não ser que o ministro Furlan nos proteja, estaremos indefesos. Com exceção de algumas fábricas tradicionais, hoje o calçado chinês é igual em qualidade e desenho a qualquer calçado comum brasileiro, como resultado do trabalho dos técnicos italianos, ingleses e americanos. Em preço, estamos sem condições de competir diretamente. Nossas fábricas ainda usam tecnologia dos anos 50, desperdiçam alegremente, contratam pessoas que não sabem ocupar racionalmente e pagam salários incompatíveis com a pouca produtividade que recebem em troca. Nossos pespontos e montagens são retrato de atraso. Nossos cortes são monumentos de desperdício e administrações (informatizadas!) parecem repartições públicas pelo ritmo de trabalho e ambiente festivo. A boa vontade do ministro Furlan para evitar que a indústria não seja prejudicada nada resolve se o empresariado não se conscientizar que a economia já é global e que eles fazem parte dela. O Brasil já viveu sua era do protecionismo, pela qual pagou um preço exorbitante. Lembram da proteção da informática? Alguém ainda lembra a estatal COBRA? O protecionismo acabou com a tradicional indústria têxtil. Quem a salvou foi espírito empreendedor de vários empresários, que aceitaram o desafio e hoje comandam indústrias modernas, altamente competitivas. Abrindo o nosso mercado aos chineses (e vietnamitas e cambodjanos que hoje já exportam sob a cobertura chinesa), estaremos em posição muito desvantajosa. Os chineses pagam impostos internos simbólicos, preços de energia, combustível e contribuições sociais são irrisórios. Imaginem só o que isto representa no custo de nosso produto, e de toda cadeia produtiva de materiais e insumos para formação do preço no mercado interno! Como nos podemos preparar para enfrentar esta febre amarela que está chegando? Trabalhar com a máxima eficiência, economizar em tudo, atualizar se tecnologicamente, treinar a mão-de-obra para a máxima produtividade, manter o passo com o mercado adotando a máxima flexibilidade para atendimento não só de pedidos, mas dos ditames da moda. Quando dizia isso antes, era por observação e intuição. Hoje faço esta advertência com base nos fatos reais. Ou como disse a FIESP: “olhe, eu avisei!” Zdenek Pracuch |
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