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PIOR A EMENDA DO QUE O SONETOUm dos grandes entraves para a produtividade é a confecção tanto de protótipos como de amostras. Cada empresa trata de contornar estes problemas a seu modo, até porque não existe um remédio universal, mas alguns pontos básicos, quando desobedecidos, agravam a situação. Primeiro é a confecção de protótipos, ou como alguns dizem os pilotos de novos modelos. O problema se agrava, quando junto com modelo está sendo criado também um novo tipo de solado. O calçado esportivo tem uma grande vantagem, que a forma uma vez aprovada, não precisa ser mudada a cada nova coleção. Qual será, então, o procedimento ideal ? Uma vez aprovada idéia original do modelista e definidos os materiais, antes de mais nada, os originais em cartolina devem passar pelo calculista de consumo o qual vai opinar sobre a economia ou desperdício de novo modelo, observando se o encaixe das peças dá um bom aproveitamento de material. Muitas vezes a mudança de um contorno em alguns milímetros, significará enorme economia de material, no caso de vender dezenas de milhares de pares deste modelo. Aprovado o modelo pelo calculista, só depois é cortada a amostra de referência, um só par, para teste de costura e de montagem. Correções devidas estando feitas, o modelo será escalado e cortado (manualmente), um par de cada tamanho para costurar e montar. Assim conferimos a exatidão da escalação, que pode variar e, ás vezes, varia muito. Só depois desta conferência serão confeccionadas as facas e todo ferramental para bordado e alta freqüência. Com os solados procedemos da mesma maneira. Este período de confecção de protótipos de cada tamanho deve ser aproveitado para introduzir as modificações consideradas necessárias para aperfeiçoamento do modelo. Parece simples e óbvio? Pois é. É assustador observar o que acontece nas indústrias neste sentido. Para começar, não existe cronograma com datas fatais de cumprimento. Modelistas postergam a criação dos modelos até o último momento na vã esperança que a inspiração vai chegar. O comprador acredita nas promessas de fornecedores e o novo material prometido nunca chega. O patrão, muito perfeccionista, nunca dá sua aprovação final em tempo hábil e fica mexendo nos detalhes que só ele vê, esquecendo-se que, uma vez apresentado o novo modelo, este se torna definitivo e ninguém perde tempo imaginando como poderia ser aperfeiçoado ainda mais. Uma das maiores pragas na indústria de calçados são os representantes e varejistas metidos a estilistas, que não se cansam de dar palpites, de como melhorar aquilo o que já foi objeto de dias de estudos. Sem levar em conta, que não entendem nada dos problemas da fabricação. E sem se dar conta de que sempre vivem no passado: porque o que está sendo vendido nas lojas agora, foi criado no ano passado e será deslocado para o esquecimento com as novas criações. As intervenções no processo produtivo, tentando consertar modelos concebidos às pressas, sem os devidos cuidados prévios, causam um grande prejuízo. É preferível retirar o modelo problemático de linha do que tentar consertá-lo.O provérbio que diz pior emenda que o soneto está fundamentado. Mas ainda há muitas indústrias tentando emendar o que já nasceu condenado. |
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