UNIFICAÇÃO DE TAMANHOS DE CALÇADO

Com a crescente aceitação das compras de calçados pela internet e também em função da crescente globalização do comércio, um problema, que parecia restrito aos países de origem da produção e de consumo de calçados, ou seja, o problema de marcação e medição de tamanhos, tornou-se um problema global.

O problema de devoluções nas compras a distância é igual ao problema nas lojas, onde um cliente pede um tamanho 41, mas o balconista experiente já traz, espontaneamente, os tamanhos 40 e 42, porque sabe que, raramente, a forma adequada terá a numeração pedida pelo comprador. Fabricantes de formas para calçados não levam muito a sério as medidas anatômicas dos pés e, somando-se a isso, a velha prática de “quebra-galho” na economia de investimento em matrizes de solas, produzindo matrizes que devem atender a dois tamanhos com uma sola só, temos criada a situação que causa tantos problemas.

Para sanar este problema, que atinge a cada dia maior número de consumidores foi criado pela instituição internacional de normas técnicas, a ISO, um comitê técnico, ISO/TC 137 para unificar em um denominador comum os diversos métodos de numeração dos tamanhos de calçados, ora utilizados pelo mundo. Hoje temos em uso para definir o tamanho de calçados, o sistema chinês, temos Mondopoint, Ponto Francês (em uso no Brasil) e temos numerações inglesa e norte-americana.

Não é que a criação e, principalmente, a aceitação de um sistema único de numeração de tamanhos unificada automaticamente eliminará o problema. Haverá necessidade de aceitação por parte dos produtores de formas, de matrizes, de calçados e da aceitação por parte de comerciantes e consumidores. Mas, pelo menos, será dado um passo grande para uma certa uniformização e conforto, que já foi atingido pelos norte-americanos há décadas atrás, mas que foi perdido e abandonado em tempos recentes.

Não era nada incomum, um cliente, digamos da rede de lojas Florsheim entrar na loja, pedir o calçado tamanho 8 1/2 , altura 7 e nem experimentar o par e leva-lo para casa, tamanha era a certeza de o calçado servir. Isso era no tempo, quando a maior parte do calçado era produzida nos Ee.Uu.. Quando começou a importação maciça, os francanos devem estar lembrados das formas escaladas em N, M, W (narrow, medium, wide), ao que foi reduzida a plêiade de larguras que começava em AAA e terminava em EEE, mas que atendia perfeitamente à largura dos pés americanos, de tantas etnias diferentes.

Como novo diretor da entidade técnica da ISO foi eleito o tecnólogo para tecnologias avançadas da SATRA Mr. Mike Wilson que, com absoluta certeza, traz todos os requisitos para se desincumbir, com sucesso, desta missão. Pode ser o marco divisor de águas na produção global de calçados, quando todos os produtores e consumidores falarão a mesma linguagem, ou melhor, usarão a mesma codificação para definir os seus produtos pelo tamanho. Se esta codificação hoje pode ser usada na identificação dos produtos de informática, eletrônica ou dos pneus, porque não poderia definir e unificar também os calçados?

Zdenek Pracuch
02/05/11