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MODELAGEM TÉCNICA Na modelagem européia sempre existiu uma distinção bastante nítida entre a modelagem criativa e a modelagem técnica. Os modelistas criativos desenham seus sonhos, sua imaginação e suas fantasias e os modelistas técnicos transformam estas utopias em um calçado viável para o calce e a produção. Defrontei-me e me conscientizei deste problema quando estava preparando a documentação para a certificação de um calçado de segurança para a Norma Norte-Americana ANSI Z41. - um dos requisitos da documentação pedia blueprint do modelo. Quando pedi ao modelista, este não sabia de que se tratava e confessou que nunca tinha feito nada semelhante. Talvez esta fosse uma explicação porque os forros, os reforços, as entretelas, tamanhos de contrafortes, etc., nunca combinavam com perfeição entre si e, volta e meia, é necessário fazer correções, adaptações e consertos. Na era da mecanização, a indústria de calçados se tornou uma engenharia de precisão. Um milímetro é uma medida que tern que ser respeitada. Para explicar e ensinar ao nosso modelista o que representa um blueprint, fui obrigado a remexer o meu arquivo para achar um desenho técnico correspondente. Com o desenho em mãos foi fáci! explicar do que se tratava. 0 modelo, ou melhor, as peças em cartolina são copiadas, partindo-se de um eixo central, que é definido pela gáspea dobrada ao melo. Todas as demais peças são desenhadas espelhadas, respeitando-se o lado interno e externo. As peças são colocadas uma por cima de outra para verificação dos acréscimos para montagem, dos acréscimos nos forros para o efeito de costura, dos excessos para dobrar, etc. Como as peças são desenhadas uma sobre a outra, fica imediatamente visível qualquer descompasso entre as mesmas. Para facilitar a identificação no emaranhado de linhas, cada material é identificado por um traço diferente: por exemplo, o couro por um traço cheio, forro por um traço interrompido, entretela por um traço-ponto-traço, e assim por diante. Não há qualquer possibilidade de não acertar o tamanho exato das peças, nem poderá haver rugas internas, ou falta de material para costurar. A transposição do desenho em três dimensões (cópia da forma) para duas dimensões (no papel plano) é perfeita. 0 interessante é que, mesmo com a técnica computadorizada CAD (Computer Aided Design), os modelistas técnicos apelam para o blueprint, porque até o programa CAD pode não oferecer a precisão desejada. Acho sempre engraçado, quando os orgulhosos possuidores de computadores afirmam que usam CAD/CAM para sua modelagem. Na indústria de calçados ninguem usa CAM (Computer Aided Manufacturing) porque não há sequer uma maquina para calçados que seja programável. Exceção é a maquina de corte a laser ou jato d'água, mas esta não é exclusiva para calçados. Confecções ou corte de chapas de aço usam principio semelhante. 0 método descrito neste artigo, como pode observar-se no exemplo abaixo, é mais simples e evita re-trabaIho na hora de "acertar" o modelo ou definir as facas de corte. |
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