AVANÇOS DA TECNOLOGIA

O penultimo semestre trouxe dois interessantes avanços tecnológicos. O primeiro já está sendo aplicado com grande sucesso no Oriente e o segundo está em fase de estudos para aplicação prática, mas já fazendo furor entre aqueles que possam ser beneficiados e os outros que, com certeza, sofrerão algum tipo de prejuízo.

O primeiro avanço tecnológico está na aplicação de raios infra-vernelhos para secagem mais rápida de colas. Operam no comprimento de onda de 0.8 – 1.5 ou seja, além do espectro visível. O resultado é que o tempo da secagem é diminuído em 3 a 4 vezes. O que representa economia em energia, espaço e tempo na produção. Isso explica, porque a United Shoe Corporation Ltd. da Coréia do Sul, vendeu em menos de dois anos mais de 500 unidades deste forno para as fábricas orientais.

Para nós, este resultado apresenta mais uma lição. A indústria de calçados, hoje na Coréia do Sul é insignificante comparada com o que era há dez anos atrás. No entanto, a unidade de pesquisa e desenvolvimento não seguiu para China, como o resto. Ficou na Coréia do Sul, onde hoje há um poderoso núcleo de jovens cientistas e pesquisadores, resultado de cinqüenta anos de investimento pesado em educação. Como é que nós podemos competir e sonhar com crescimento?

A segunda novidade vem da área de bioquímica. Os cientistas da Universidade Brown de Providence, R.I. e Universidade de Indiana de Bloomington, In. USA, descobriram por meio de uso de manipulação de micro-técnica, que a força de adesão das células individuais da bactéria “Caulobacter crescentus” representa valores de aproximadamente 70 N (Newton) por mm2. Para comparar: o super-bonder® possui a adesão de aprox. 20 N por mm2. Esta cola assim aplicada sobre a superfície de uma moeda suportaria o peso de um automóvel popular.

Esta bactéria já é bastante conhecida pela aderência que possui sobre os cascos de navios ou tubos de canalização, mas pela primeira vez, foi medida a resistência de adesão deste microorganismo. Há uma série de vantagens contidas nesta descoberta. A primeira delas é, que para se obter este adesivo, basta cultivar as bactérias em grande volume, o que é muito fácil, porque prospera em qualquer ambiente úmido.

A segunda vantagem é, que pode ser aplicada sobre as superfícies úmidas sem perder o poder de adesão. Os cirurgiões já estão estudando esta vantagem, que poderia eliminar os tradicionais pontos. E, por último, o que aos sapateiros interessa mais, é até possível, que em determinados materiais, onde não existe perigo de delaminação, esta cola pode substituir as costuras. E no lugar de pespontadeiras, teríamos simples passadoras de cola.

Passei muitos anos da minha vida (e ainda continuo) combatendo a colagem dentro dos pespontos, com sólidos argumentos e provas que, na absoluta maioria dos casos, a colagem não é necessária e só serve para atrasar e encarecer a produção.

Será, que depois de tantos anos serei obrigado a recomendar a colagem em vez do pesponto? Afinal, porque não? Ninguém pode parar o progresso. Ninguém pode parar o avanço de tecnologia. Aqueles que o tentaram acabaram atropelados pelo avanço de novos conhecimentos. Na primeira metade do século passado ninguém era capaz de imaginar a montagem do calçado sem tachinhas, sem arame, sem pregos. Até que veio Kamborian com sua revolucionária máquina de montar colado, primeiro o bico e depois os lados com o famoso “pirulito” em operação até hoje.

Já temos colas a base d'água. Porque não podemos ter colas produzidas a base de bactérias que vivem d'água poupando, assim o petróleo, que de qualquer modo já está ficando escasso também. Viva a tecnologia, viva o progresso!

Zdenek Pracuch