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TEMPERATURA E CALOR Costumo perguntar aos encarregados de produção qual é o sentido de vaporizar os cabedais antes de ensacá-los. As respostas são as mais variadas possíveis e, todas erradas. A de maior valor é “porque todo mundo faz isso”. Eu sei, todo mundo faz isso, porque quase todo mundo não pensa no que faz. A vaporização fazia sentido, era até imprescindível, quando se montava calçado de couro. Mas no sintético? Que não absorve água, que é feito sobre a base de têxtil ou de fibras aglomeradas, que tão pouco absorvem água e até quando o fazem é em quantidade mínima? Que não resolve nada. Muito menos serve para amaciar o cabedal. O único resultado é, que molhamos o calçado por dentro, que de certo modo até pode dificultar a colagem e só não cria mofo, porque previdentemente, embora com outra intenção é posta uma bucha de papel no bico do calçado. O que atua sobre os laminados, ou qualquer material sintético é somente o calor. Porque, então, esquentar água, queimar energia, quando uma pequena estufa faria o mesmo efeito? Isso tudo me veio novamente á mente quando vi que a italiana Anzani lançou um novo estabilizador (Heat-setter) na Simac/Lineapelle, denominado MT/300/9. Ao contrário dos modelos antigos que aplicavam vapor numa câmara normal, este aplica vapor dentro da câmara á base de vácuo, o que melhora a penetração nas fibras do couro. Mas, é aqui está o que nos interessa: quando se trata de estabilizar o calçado feito de materiais sintéticos, o tratamento á vapor é desligado! Não é à tôa que os italianos são considerados entre os melhores tecnólogos de calçados no mundo. Outro fato digno de menção é, segundo Steve Ross, gerente de qualidade da SATRA, que nos materiais sintéticos não é possível conseguir mais do que 50% de estabilização do cabedal sobre a forma. E assim mesmo, só com as temperaturas de 80 – 120 °C, as quais devem ser reguladas sobre o material mais sensível, no caso de cabedal ser feito de materiais laminados diferentes. Boas novas para os fabricantes são, que estas temperaturas já estão quase atingidas nos fornos de reativação. A única observação deve ser feita sobre o tempo de exposição ao calor. Segundo Steve Ross, este pode variar de 2,5 – 5 minutos para surtir efeito de estabilização. Mas isto só pode ser avaliado pelos testes na prática. Agora – atenção: nenhuma palavra sobre o famoso “choque térmico” que já me custou discussões sem fim até acusações dos fabricantes dos ditos equipamentos de prejudicar o negócio deles. – Repito: quando se trata de estabilização do calçado sobre a forma, nenhuma palavra sobre o “choque térmico”. Nem da Anzani, nem do Steve Ross. E sob pena de me tornar chato repito mais uma vez: os italianos são imbatíveis em tecnologia de produção de calçados! Como agir sem o “choque térmico”? Deixar o calçado esfriar naturalmente até a temperatura do ambiente antes de sacar a forma. Normalmente isso não leva mais de vinte minutos. Como saber se o calçado esfriou, sem ter um termômetro digital? É simples : coloquem a mão dentro do calçado desenformado. Se o interior estiver frio, está perfeito. O calçado está estabilizado e a colagem também. Zdenek Pracuch |
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